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Brinquedos e brincadeira para bebês de 6 a 9 meses


Entre o sexto e o nono mês de vida, o bebê adquire algumas competências que mudam por completo a maneira como ele vê e é visto pelo mundo: senta sem apoio, rasteja e engatinha (alguns ficam em pé com apoio). Ao mesmo tempo, outras conquistas motoras, como os movimentos de pinça (junção do polegar e indicador) e de transferência de um objeto de uma mão para outra com intencionalidade, incrementam e ampliam suas possibilidades de exploração. Olhos, mãos e boca passam a trabalhar coordenados.


Ao adquirir novos movimentos, o bebê passa a ter mais autonomia, podendo encontrar outras formas de realizar o que deseja e de se comunicar (desde esticar os bracinhos quando quer colo, até balbuciar – inicialmente, duas sílabas, como “ma”, “pa”, “ba”, ainda sem nenhum significado). Como resultado dessa autonomia, os pedidos de colo e os choros costumam diminuir. Sua sociabilização se amplia, o que leva muitos pais a considerar essa como uma das fases mais gostosas de estar com o bebê.


Ao contrário da ideia de “quanto mais o bebê se movimenta, mais ele precisa estar contido” (vide a oferta de produtos que “prendem” o bebê em um determinado espaço físico), esse é um momento em que o bebê precisa de uma área ampla e segura para se movimentar com liberdade. Rever os espaços da casa é fundamental, assim como garantir o conforto das roupas e sapatos.


Limitar o movimento do bebê mantendo-o em berços, cercadinhos, carrinhos, cadeirinhas, bebê-conforto ou similares é inibir sua capacidade de interação, exploração, descoberta e aprendizagem. Em outras palavras, é desperdiçar suas potencialidades que pulsam com tanto vigor e contribuem diretamente para seu desenvolvimento físico, psíquico, cognitivo e social. Aqui vale uma nota: a liberdade de movimento e exploração nessa faixa etária é o maior estímulo que o bebê pode ter.


Se não é possível ter um adulto cuidador dedicado ao bebê durante todo o tempo em que ele está desperto, é importante garantir algum espaço em que ele possa estar seguro, preferencialmente podendo olhar e ser olhado a certa distância pelo cuidador, para que não lhe reste como única alternativa estar contido em uma dessas parafernálias que só trazem benefício ao cuidador.


Não podemos esquecer que o bebê explora e conhece o mundo com todo o corpo. Utiliza-se de seus olhos, mãos, pés, pernas, braços, barriga, boca. Daí a necessidade de um ambiente que propicie, além da segurança, diversidade de experiência motora e sensorial. Diversidade, no entanto, não significa quantidade de brinquedos, mas variedade de formas, texturas, sons, tamanhos, materiais e volumes com os quais o bebê possa estar em contato nos momentos em que ele brinca só ou acompanhado.


Para um bebê se mexer, conhecer, comparar, reconhecer, interrogar, relacionar, questionar, querer e aprender não é preciso disponibilizar brinquedos sofisticados. Aliás, como a maioria desses brinquedos são de plástico e com sons eletrônicos, eles são os menos recomendados, na medida em que não oferecem a variedade sensorial que o bebê necessita.


Uma ideia bem interessante para fugir dos brinquedos de plástico e com sons eletrônicos é criar para o bebê o chamado cesto dos tesouros, que deve conter elementos do cotidiano da família (aqueles que não têm cara de brinquedo, mas são, ao menos sob a experiência do bebê). Além de oferecer uma gama de experiências, o bebê tem a possibilidade de explorar objetos “proibidos”, mas extremamente interessantes para ele e para o desenvolvimento de sua percepção, raciocínio e motricidade.


Outros objetos que não podem faltar na caixa de brinquedos dos bebês dessa faixa etária, e maiores, são:

  • Blocos, caixas e potes de tamanhos distintos: trabalham principalmente a coordenação motora, a dimensão dentro-fora, em cima-em baixo e a possibilidade de conter e esconder um dentro do outro.

  • Tecidos e fitas de tamanhos, estampas e texturas diversas: propiciam o treino de pinça fina e permitem a brincadeira de esconde-esconde.

  • Brinquedos macios: no chão, tornam-se obstáculos ao corpo do bebê. Na boca, massageiam a gengiva que se prepara para a erupção dos dentinhos. Como os paninhos, podem se transformar num objeto transicional.

  • Objetos com sons variados.

  • Objetos refletores: espelho, panela de alumínio, bacia de inox.

  • Elementos da natureza: casca de árvore, folha, pinha, etc.

  • Fantoches e dedoches.

  • Bola, cilindro, argola.

Um “brinquedo” que os bebês adoram, mas nem sempre lhes é dada a oportunidade para explorá-lo, é a comida. As refeições podem ser muito prazerosas se ao bebê for permitido explorar com as próprias mãos aquilo que ele come e os utensílios que compõem esse momento, como pratos, talheres, copos e babadores.


Embora os bebês com seis meses ou mais dispendam um bom tempo brincando sozinhos, a presença de um adulto cuidador é imprescindível em grande parte do tempo. É nessa presença física e afetiva (concomitantes) que o bebê constrói o senso de segurança e sua capacidade de estar só – sem falar no sempre necessário fortalecimento do vinculo.


A partir dos seis meses, o bebê começa a ter noção de que ele é um ser mais integrado e a se diferenciar daqueles com quem ele se relaciona, o que torna fundamental a participação do adulto em uma das mais importantes e prediletas brincadeiras do bebê nessa fase da vida: as brincadeiras de descontinuidade. Entre elas, os clássicos jogos de arremesso de objetos e “Cadê? Achou!”.


Na medida em que estes jogos simbolizam a presença e a ausência (o aparecer e o desaparecer), eles ajudam a criança tanto no processo de diferenciação eu-outro quanto a suportar os momentos de separação mais duradouros, como por exemplo, a saída dos pais para o trabalho. O que pode parecer bobo ou demasiadamente repetitivo para o adulto é essencial para o bebê. Por isso, brinque muito com ele e, junto, ouse descobrir e experimentar brinquedos que não têm nome de brinquedo, mas são de uma riqueza ímpar para o desenvolvimento do bebê!


Atenção: Esta postagem não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente ele pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.


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Dra. Valéria Gandolfi Geraldo

Pediatria - Neurologia Pediátrica - Desenvolvimento e Comportamento Infantil

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