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Como saber se o seu filho realmente faz ABA?

Atualizado: Mar 6


A sigla ABA significa Análise do Comportamento Aplicada (do inglês, Applied Behavior Analysis). Ela é o ramo aplicado de uma disciplina científica chamada Análise do Comportamento. ABA, portanto, não é simplesmente uma técnica ou um conjunto de técnicas. Uma intervenção baseada nos princípios da ABA, assim como qualquer outra intervenção profissional, requer qualificação do profissional que irá conduzi-la. A condução de intervenções ABA por profissionais não-qualificados pode comprometer gravemente o desenvolvimento do seu filho. Atualmente, há muitos profissionais oferecendo intervenções ABA, mas que não possuem qualificações mínimas para realizá-las. Um tratamento ABA não é a aplicação de técnicas específicas. É muito, muito mais do que isso e exige um profissional altamente qualificado que compreenda os princípios científicos que são a base da ABA e que seja fluente nas práticas aplicadas mais atuais para ser adequadamente conduzido.


ABA é uma CIÊNCIA que estuda o comportamento humano socialmente relevante. Seu objetivo é analisar e explicar a interação entre o ambiente, o comportamento e a aprendizagem, construindo junto com o indivíduo uma gama de repertórios socialmente relevantes, minimizando comportamentos inadequados, maximizando seus comportamentos adequados e instalando novos repertórios, essa para torná-lo o mais funcional possível na sociedade e em seu dia-a-dia. Modifica comportamentos humanos para melhora da qualidade de vida do individuo.


ABA é uma ciência! Não é método, nem abordagem, nem tão pouco terapia. É uma intervenção com conceitos, princípios e características próprias.


É uma ciência altamente complexa com evidências científicas comprovadas e de alta eficácia no atendimento às pessoas com Deficiência Intelectual, Transtorno do Espectro Autista (TEA), Atraso Global do Desenvolvimento, Atraso no desenvolvimento da comunicação verbal ou não verbal, Atraso socioemocional e adaptativo, Atraso cognitivo, Atraso motor fino e quadros assemelhados.


Portanto, se você se decidiu por oferecer ao seu filho um tratamento ABA, popularmente chamado “terapia ABA”, ou ainda erradamente incluindo a palavra “método”, é extremamente importante que você atente para alguns pontos na escolha do profissional que irá conduzir o tratamento: a formação acadêmica do profissional, a experiência profissional e se este profissional se mantém atualizado em relação a novas técnicas e procedimentos estudados cientificamente.


Fica aqui um segundo alerta: não tente você mesmo tratar o seu filho, ainda que você seja um Analista do Comportamento plenamente qualificado (aliás, se for este o caso, este alerta é redundante, pois você já sabe disso). O risco de viéses emocionais é muito grande para que você arrisque. Acredite: suas chances de manter a integridade do tratamento, condição essencial para o êxito, são pequenas. E se você não é plenamente qualificado por anos e anos de estudos supervisionados e prática, então talvez baste dizer que o tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é classificado internacionalmente como de alta complexidade, para que você mesmo possa avaliar suas chances de êxito.


Com o intuito de diminuir essa dúvida para os pais e demais consumidores desse serviço, decidi escrever alguns pontos importantes que caracterizam a intervenção baseada em Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Sendo assim, e não assumindo que esses pontos sejam os únicos e tampouco os colocando em ordem de importância, seleciono essas perguntas para que os pais reflitam sobre a intervenção de seu filho:


A equipe que trabalha com seu filho possui domínio de escalas de habilidades para mensurar a evolução dele?

Quando falamos em uma intervenção em ABA, necessariamente falamos na necessidade de uma avaliação inicial que componha a “linha de base” de habilidades do indivíduo e que norteie os pontos principais da intervenção (o chamado curriculum). Além disso, é importante que frequentemente as metas sejam revistas e as escalas atualizadas. Como a ABA é uma tecnologia de ensino extremamente individualizada, o Analista do Comportamento deve saber utilizar mais de uma escala de habilidades. Por exemplo, a escala ABLLS-R é bastante detalhada e auxilia na implementação de metas mais específicas e “esmiuçadas”; temos o VB-MAPP de direcionamento bastante eficaz; caso a criança tenha evoluído, existe uma ferramenta chamada Social Savvy que direciona o trabalho em “habilidades sociais”; o instrumento ABLA-R, que aponta dificuldades de aprendizagem de determinadas metas, entre outros.


Os aplicadores e demais profissionais, possuem a formação adequada?

Ainda que não haja em nosso país a regulamentação legal ao exercício do Analista do Comportamento, tem sido amplamente divulgado na mídia a importância da formação desse profissional como muito além de um curso de graduação que tem, na melhor das hipóteses, três semestres de teoria geral de Análise do Comportamento. As famílias têm exigido, cada vez mais, a formação do BCBA ao profissional ou clínica, como já acontece nos Estados Unidos, ou de Analista do Comportamento Supervisor (mestre ou doutor).


Pergunte ao profissional: Qual é o seu curso de graduação?

Intervenção baseada na ABA refere-se a conhecimentos e técnicas derivados da Análise do Comportamento e é uma ciência. O profissional poderá ser de qualquer graduação da área de saúde ou educação.


Pergunte ao profissional: Você fez algum curso de especialização em Análise do Comportamento? Se sim, quais cursos?

Via de regra, é interessante que um profissional tenha, minimamente, um certificado de especialização em Análise do Comportamento e, se o curso de especialização foi específico na área de TEA, Deficiência Intelectual, Atraso Global do Desenvolvimento e quadros assemelhados e ABA, melhor ainda.


Pergunte ao profissional: Você fez mestrado ou doutorado na área de Análise do Comportamento?

Vale aqui o mesmo raciocínio para os cursos de especialização: quanto mais formal tiver sido a formação em Análise do Comportamento, maiores as chances do profissional estar realmente apto a realizar intervenções ABA. Você poderá encontrar facilmente a tese ou dissertação defendida pelo profissional no site do programa de pós-graduação o qual ele cursou. Se a pesquisa foi na área de intervenção ao TEA, Deficiência Intelectual, Atraso Global do Desenvolvimento e quadros assemelhados, melhor ainda.


Pergunte ao profissional: Há quanto tempo você trabalha com pessoas com TEA, Deficiência Intelectual, Atraso Global do desenvolvimento e quadros assemelhados?

De forma geral, quanto mais tempo de experiência, melhor. A comunidade internacional estima no entorno de 10 anos de experiência e específica o tempo necessário de supervisão de 5 anos para que um profissional possa ser considerado apto a conduzir um tratamento ABA eficaz. Assim, destes 10 anos, no entorno de cinco anos devem ter sido praticados sob supervisão de um especialista na área, com título de doutor e reconhecido pela comunidade dos Analistas do Comportamento. Há cerca de 17 anos, já temos no Brasil um número suficiente de doutores capacitados a supervisionar um tratamento ABA para o TEA, Deficiência Intelectual, Atraso Global do desenvolvimento e quadros assemelhados Assim, o atendimento a este parâmetro deve ser um fator importante para a sua escolha.


Pergunte ao profissional: Você costuma participar de eventos científicos de Análise do Comportamento?

Profissionais que participam ativamente apresentando trabalhos nas reuniões e eventos da Associação Brasileira de Análise do Comportamento (ACBr) e da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental (ABPMC) devem ter a sua preferência, quanto a eventos nacionais. Internacionalmente, os principais eventos são as reuniões da ABAI (Association for Behavior Analysis International, que, em português, seria Associação Internacional de Análise do Comportamento).


Pergunte ao profissional: Quais cursos de formação você já fez na área de TEA, Deficiência Intelectual, Atraso Global do desenvolvimento e quadros assemelhados?

Um profissional pode ser formado em qualquer graduação de saúde ou educação, ter especialização/mestrado/doutorado e, ainda assim, nunca ter estudado nada sobre Análise do Comportamento Aplicada ao TEA, Deficiência Intelectual, Atraso Global do desenvolvimento e quadros assemelhados. É importante, portanto, verificar se este profissional fez cursos de formação (cursos livres) relativos à área, novamente atento a quem ministrou o curso e à duração dele. Se o profissional, além de participar de cursos e eventos, também realiza palestras, ministra cursos em eventos acreditados da área e publica artigos em revistas profissionais de melhor categoria, esse é mais um indicativo da qualidade de sua formação profissional.


Pergunte ao profissional: Com que frequência você lê artigos científicos sobre ABA?

Os sucessos das intervenções ABA vêm, sobretudo, do conhecimento científico produzido na área. Artigos científicos, mais que livros e sites da internet, são a principal fonte deste conhecimento. É inconcebível um profissional que não se mantenha atualizado lendo, frequentemente, artigos científicos com as novidades em seu campo de atuação. Profissionais que trabalham com ABA certamente irão citar o "Journal of Applied Behavior Analisys" (Jornal de Análise do Comportamento Aplicada), como fonte constante de estudos.

Ocorrem supervisões constantes dos profissionais que trabalham com seu filho?

Esse é um tópico bastante relevante. Por tratar-se de uma ciência e não de um método, o Analista do Comportamento, mesmo após finalizar seus estudos iniciais (pós-graduação, por exemplo), deve submeter-se à supervisão constante de outro Analista do Comportamento mais experiente. Ainda mais necessário, é a supervisão do profissional que ainda não tenha concluído essa titulação e atue como “aplicador ABA”. Nos Estados Unidos, essa categoria é chamada de RBT e este profissional é proibido de trabalhar sem a supervisão constante de um BCBA ou Analista do Comportamento Supervisor (mestre ou doutor).


O tratamento é individualizado?

Os pais devem ficar atentos se o que é proposto pela equipe, se adequa às necessidades específicas do seu filho. Como mencionei acima, ABA não é método e, portanto, não há manual com começo, meio e fim ou intervenção igual para todos. Isso significa que duas crianças da mesma idade podem ter um curriculum parecido ou completamente diferente.


A terapia é intensiva?

Este ponto é simples: Não existe "ABA light"! Ou seu filho faz ABA ou não faz. ABA é uma intervenção intensiva que, na grande maioria dos casos, é composta de 10 a 40 horas por semana de intervenção. Se o seu filho faz 1 hora por semana de ABA, ele não faz ABA!

Existe uma hierarquia de domínio acadêmico na equipe?

Ter uma equipe com profissionais de diferentes níveis acadêmicos faz toda a diferença em uma intervenção. O terapeuta pode ter menos repertório acadêmico que o supervisor, por exemplo, mas necessita do direcionamento deste, para não cometer erros graves. O supervisor que é, por exemplo, um especialista ou mestre e já foi terapeuta durante muitos anos, tem de realizar supervisões com um doutor que tenha experiência em ABA, e assim sucessivamente.


A operacionalização do serviço de intervenção comportamental baseado em ABA para indivíduos com TEA, Deficiência Intelectual, Atraso Global do desenvolvimento e quadros assemelhados requer diferentes agentes de ensino: Analistas do Comportamento (Supervisor e Assistente) e Aplicadores/Técnicos. Dentre eles, a presença do Analista do Comportamento Supervisor é fundamental e obrigatória. Os demais se organizam a partir do delineamento do serviço.


Acompanhante Terapêutico aplicador ABA:

  • Profissional técnico com curso aplicador ABA 40 horas e ensino médio completo.

  • Profissional em graduação da área da saúde ou educação com curso aplicador ABA 40 horas.

  • Profissional graduado da área da saúde ou educação com curso aplicador ABA 40 horas.

  • Profissional graduado da área da saúde ou educação, Certificado de Pós-Graduação "Lato Sensu" (Especialização) em Análise do Comportamento Aplicada e que ainda não tenha concluído a prática supervisionada.


Analista do Comportamento Assistente: Profissional Graduado na área da saúde ou educação; Certificado de Pós-Graduação "Lato Sensu' (Especialização) em Análise do Comportamento Aplicada; e mínimo de 500h acumuladas de prestação de serviços como aplicador para pelo menos 3 clientes diferentes, sendo que, a cada 20h trabalhadas, é requerida 1h de supervisão.


Analista do Comportamento Supervisor: Profissional Graduado na área da saúde ou educação; Pós graduado "Stricto" ou "Lato Sensu" em Análise do Comportamento; Título de Mestrado ou Doutorado em Análise do Comportamento ou áreas associadas (por exemplo: Educação Especial, Distúrbios do Desenvolvimento) ou Título de BCBA fornecido pelo Behavior Analyst Certification Board (BACB); e mínimo de 1000 horas de prática supervisionada acumuladas no período de pelo menos 1 ano, sendo que, a cada 40h trabalhadas, é requerida 1h de supervisão.

A equipe produz gráficos para mensurar o aumento ou diminuição dos comportamentos-alvo?

Existe uma máxima em ABA que diz: “se você não registra e produz gráficos, você não está fazendo ABA”. Muitas vezes esses gráficos podem estar na pasta de registro ou no relatório mensal, mas eles têm que fazer parte da intervenção em ABA!


Os profissionais fazem aquilo que eles “acham melhor” ou aquilo que tem comprovação científica?

Se ABA é ciência, não há “receita pronta” para nada! Isso significa que todo o procedimento adotado para ensinar repertórios comportamentais e ou diminuir comportamentos indesejados deve ser baseado em pesquisas sólidas (com replicação substancial). Essas pesquisas devem ser citadas e os pais devem ser capazes de identificar suas fontes.


Os profissionais ABA trabalham em conjunto com os demais?

Quase sempre as crianças com TEA passam por mais de uma intervenção ao mesmo tempo. Por exemplo: Fazem ABA e fonoaudiologia e ou terapia ocupacional com certificação internacional em integração sensorial. Dessa forma, os profissionais devem trabalhar em conjunto, trocar informações e preferencialmente todos estarem sob a supervisão constante de um Analista do Comportamento Supervisor Doutor.


Você se sente (e deseja estar) satisfeito como cliente ou em constante aprendizado?

Considero esse tópico um dos mais importantes e nele não questiono apenas o comportamento do profissional, mas também da família. Em uma sociedade movida pelo capital, o paciente ou cliente é, também, o consumidor do serviço. Se a sua equipe faz tudo o que você quer, ao invés daquilo que avalia ser o melhor para o seu filho, nunca contraria sua opinião como pai ou propõe desafios para mudar comportamentos, provavelmente, você pode estar satisfeito como consumidor mas, na verdade, está consumindo um serviço de “homecare” ou “cuidador”, mas não de ABA. ABA tem a ver com aprendizado, mudança e superação para melhorar a qualidade de vida da família, mas toda luta requer desafios e renúncias.


Por fim, suspeite sempre do que você lê em livros não acadêmicos (leigos), em testemunhos e na internet de maneira geral. Nesses meios de divulgação, normalmente não há como comprovar a autenticidade e a veracidade da informação postada. Não se deixe levar por propaganda institucional, recomendações pessoais sejam de quem for, ou indicações boca a boca. Verifique tudo minuciosamente!


Você está protegendo seu filho! Não se acanhe! Ao procurar conhecer a formação e as credenciais do profissional que está contratando, você estará fazendo a coisa certa. Nenhum profissional qualificado se sentirá constrangido com isso. Pergunte e verifique antes de contratar qualquer serviço ABA, incluindo cursos e palestras.


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Dra. Valéria Gandolfi Geraldo

Pediatria - Neurologia Pediátrica - Epilepsia - Neurologia Cognitiva e do Comportamento

Desenvolvimento e Comportamento Infantil

Capacitação das Escalas Bayley III e do Protocolo VB-Mapp

CRM-SP: 105.691 / RQE: 26.501-1


LEIA TAMBÉM:


ABA PARA O AUTISMO: PROTEJA O SEU FILHO! ORIENTAÇÕES AOS PAIS.

https://analisedocomportamento.org.br/wp-content/uploads/2019/04/Publica%C3%A7%C3%A3o-ACBr-1.pdf


REGISTRO PARA PRESTADORES DE SERVIÇO EM ANÁLISE DO COMPORTAMENTO APLICADA (ABA) AO DESENVOLVIMENTO ATÍPICO/TEA DA ABPMC.

http://abpmc.org.br/arquivos/publicacoes/1556901447d2fb7c4f8e55.pdf


A formação do profissional que trabalha com ABA (Análise do Comportamento Aplicada) e Transtorno do Espectro Autista no Brasil: Recomendações preliminares.

http://abpmc.org.br/arquivos/publicacoes/154464258094a735f598.pdf


CIRCULAR ABPMC - COMUNICAÇÃO À COMUNIDADE BRASILEIRA: A RESPEITO DA INTERVENÇÃO BASEADA EM ABA E PROFISSIONAIS QUE ATENDEM NEURODIVERSOS.

http://abpmc.org.br/arquivos/publicacoes/1573747918c4a1d8066715.pdf


Notícias – ACBr


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