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Distúrbio Epileptiforme Fotossensível em Crianças e Adolescentes: Videogames e Desafios Neurológicos



Distúrbio Epileptiforme Fotossensível em Crianças e Adolescentes: Videogames e Desafios Neurológicos

A relação entre videogames e crises epilépticas tem sido um tópico de crescente interesse na comunidade médica, especialmente quando se trata de crianças e adolescentes. Muitos jovens que experimentam crises epilépticas durante a prática de jogos eletrônicos apresentam um distúrbio epileptiforme fotossensível evidenciado por meio de eletroencefalograma (EEG) durante a estimulação fótica intermitente.


O fenômeno do distúrbio epileptiforme fotossensível é caracterizado por crises epilépticas desencadeadas por estímulos visuais intermitentes, como flashes de luz ou padrões específicos. Nos casos relacionados a videogames, a exposição a elementos visuais intensos e intermitentes pode desencadear crises em indivíduos suscetíveis.


Surpreendentemente, dois terços desses casos estão associados à epilepsia generalizada primária, que inclui epilepsia tônico-clônica generalizada, epilepsia ausência e epilepsia mioclônica juvenil. O restante dos casos apresenta epilepsias focais, sendo a epilepsia occipital benigna uma das manifestações mais comuns nesse contexto.


O EEG, uma ferramenta crucial para avaliação neurológica, desempenha um papel significativo na detecção e diagnóstico desses distúrbios. Durante a estimulação fótica intermitente, é possível observar padrões característicos no EEG que indicam a presença do distúrbio fotossensível. Essa técnica é fundamental para entender as alterações na atividade elétrica do cérebro associadas a crises epilépticas desencadeadas visualmente.


A epilepsia generalizada primária, que compreende a maioria dos casos relacionados a videogames, envolve crises epilépticas que afetam ambos os hemisférios cerebrais. A epilepsia tônico-clônica generalizada é marcada por contrações musculares rígidas (tônico) seguidas por movimentos involuntários rítmicos (clônicos). Por outro lado, a epilepsia ausência se manifesta por episódios de ausência repentina e breves perdas de consciência, enquanto a epilepsia mioclônica juvenil se caracteriza por espasmos musculares súbitos e rápidos.


Já as epilepsias focais, como a epilepsia occipital benigna, têm origem em uma área específica do cérebro. Essa forma de crise epiléptica específica a exposição aos jogos eletrônicos, permite a implementação de estratégias preventivas e de manejo adequado para reduzir o risco de crises epilépticas em crianças e adolescentes suscetíveis.


A investigação clínica desses casos muitas vezes começa com a análise do histórico médico do paciente, incluindo a frequência e a natureza das crises epilépticas. O EEG desempenha um papel crucial nesse processo, fornecendo dados objetivos sobre a atividade elétrica cerebral durante a exposição a estímulos visuais específicos.


A identificação precoce desses distúrbios epileptiformes é essencial para permitir intervenções adequadas. A abordagem terapêutica pode incluir a orientação sobre o uso controlado de videogames, limitando a exposição a estímulos visuais intermitentes que desencadeiam crises. Além disso, a escolha de jogos com menor potencial de provocar essas respostas neurológicas pode ser recomendada.


É importante destacar que a relação entre videogames e distúrbios epileptiformes não é universal, e nem todos os indivíduos que jogam experimentarão crises. Contudo, compreender os fatores desencadeantes e os padrões associados a essas ocorrências permite uma abordagem mais personalizada e informada no manejo de casos específicos.


Os profissionais de saúde, especialmente neurologistas pediátricos com expertise em Epilepsia, desempenham um papel fundamental na educação dos pais e responsáveis sobre os riscos potenciais associados ao uso indiscriminado de videogames. Além disso, a conscientização nas escolas e entre os educadores pode contribuir para um ambiente mais seguro, minimizando situações que possam desencadear crises epilépticas em crianças vulneráveis.


Os avanços na tecnologia e na compreensão dos distúrbios epileptiformes oferecem oportunidades para desenvolver estratégias de prevenção mais eficazes. A pesquisa contínua nesse campo é crucial para identificar novos padrões e aprimorar abordagens terapêuticas.


Em conclusão, a relação entre videogames e distúrbios epileptiformes em crianças e adolescentes destaca a importância da vigilância e da orientação adequada no uso dessas tecnologias. A colaboração entre profissionais de saúde, educadores e famílias é essencial para promover ambientes seguros e saudáveis, reconhecendo as necessidades individuais e mitigando os riscos associados aos estímulos visuais intermitentes presentes nos jogos eletrônicos.



Dra. Valéria Gandolfi Geraldo

Pediatria - Neurologia Pediátrica

CRM-SP: 105.691 / RQE: 26.501-1

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