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Dieta não cura o Transtorno do Espetro Autista!

Atualizado: Jan 19



Dieta não cura o Transtorno do Espetro Autista! E não existem evidências que comprovem que suplementar vitaminas, ômega 3 e DHA auxilia no tratamento
  1. Apesar de ser muito estudado, a origem do TEA ainda não é totalmente conhecida. Sabe-se que diversos fatores podem contribuir para que ele ocorra como alterações genéticas, infecções... Mas o mecanismo exato pelo qual algumas crianças são TEA's e outras não, ninguém sabe ao certo. E se, é um transtorno com múltiplas causas, não podemos esperar que haja um tratamento ÚNICO que leve a sua cura. Aliás não é uma doença e, portanto, não precisa ser curado.

  2. A relação entre o TEA e alimentação já vem sendo estudada há bastante tempo. E embora existam poucos estudos que sugiram alguma associação, eles são fracos e tem baixo nível de evidência. Temos que analisar os estudos científicos com cuidado e sermos cautelosos com viéses. Esse assunto é sempre discutido nos congressos e simpósios de diversas especialidades médicas e já tive a oportunidade de ouvir vários grandes estudiosos falarem sobre esse tema. E a conclusão é sempre a mesma, não há evidência.

  3. Além de não ser comprovado, não recomendo a dieta por mais duas grandes questões:

  • Um grande percentual de crianças TEA's tem seletividade alimentar. Tem uma dificuldade enorme de aceitar alimentos novos. Paladar muito restrito. Restringir AINDA MAIS alimentação dessas crianças é perigoso e pode levar a risco nutricional.

  • Segundo, comida é social! Pensa nos últimos encontros que você teve com seus amigos. Quantos deles tinham comida envolvida? Restringir a alimentação de maneira desnecessária torna ainda MAIS DIFÍCIL a socialização e inserção dessas crianças no grupo.


A bandeira que levanto é: antes de trabalharmos com uma pessoa TEA, trabalhamos com Seres Humanos! E quando adotamos essa visão, fica muito fácil de entender que poucas coisas são TÃO IMPORTANTES para a saúde humana quanto uma nutrição adequada! Entretanto, existem sim mudanças e boas práticas que podem ser incluídas na alimentação de uma criança TEA e que por experiência nos meus pacientes geram ótimos resultados!! Entre os benefícios, posso citar:

  • Redução das cargas tóxicas.

  • Redução da inflamação intestinal e cerebral.

  • Digestão e absorção de nutrientes.

  • Equilíbrio da Flora Intestinal.

Aliás, trabalhar junto da alimentação o fortalecimento desse equilíbrio da flora (micro bioma) é o caminho inicial para melhorar a Seletividade Alimentar deles! Sabe a criança que só come batata frita, macarrão e salsicha e nada mais? A preferência exclusiva por certos alimentos é bem comum dentro do espectro, porque a criança tem dificuldades sensoriais e fica muito difícil para ela aceitar novos cheiros, texturas e sabores (e às vezes até cores!). Pode existir uma ligação entre a saúde intestinal e o equilíbrio da microbiota e certos tipos de comportamentos alimentares, entre eles a seletividade extrema. Portanto, de olho no intestino! Os alimentos fermentados naturalmente e ricos em probióticos podem ser de muita ajuda nesse sentido. Cada criança é única e acredito que sua alimentação e estratégia nutricional devam ser sempre personalizadas para que o foco seja sua saúde, segurança, bem-estar e desenvolvimento feliz.


ATENÇÃO: Esta postagem não tem o objetivo de substituir a consulta pediátrica. Somente o médico tem condições de avaliar caso a caso e somente ele pode orientar o tratamento e a prescrição de medicamentos.


LEIA TAMBÉM: Transtorno do espectro autista em crianças: dietas especiais não alteram comportamento.


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Dra. Valéria Gandolfi Geraldo

Pediatria - Neurologia Pediátrica - Desenvolvimento e Comportamento Infantil -Transtornos do Neurodesenvolvimento - Epilepsia

CRM-SP: 105.691 / RQE: 26.501-1


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