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Epilepsia e Práticas Esportivas: Escolhas Positivas para Saúde Integral



Epilepsia e Práticas Esportivas: Escolhas Positivas para Saúde Integral


A relação entre epilepsia e atividades físicas é uma área de interesse crescente, pois se reconhece cada vez mais o impacto positivo do exercício na saúde física e mental. No entanto, é crucial entender que nem todas as atividades esportivas são igualmente seguras para indivíduos que já tiveram crises epilépticas.


A Liga Internacional Contra a Epilepsia (ILAE) desempenha um papel fundamental ao categorizar os esportes com base no risco associado tanto para a pessoa que teve crises quanto para os espectadores.


Benefícios do Exercício na Epilepsia

  1. Controle de Crises: A prática regular de atividades físicas tem sido associada ao controle mais efetivo das crises epilépticas. O aumento do condicionamento físico e da resistência cardiovascular pode contribuir para a estabilidade neurológica.

  2. Saúde Mental: Além dos benefícios físicos, o exercício regular também melhora a saúde mental. A liberação de endorfinas durante o exercício pode reduzir o estresse e a ansiedade, ambos fatores que podem desencadear crises epilépticas.

  3. Qualidade de Vida: A inclusão de atividades físicas na rotina diária não apenas aborda os aspectos clínicos da epilepsia, mas também melhora a qualidade de vida geral. A socialização, a melhoria do sono e o aumento da autoestima são aspectos que contribuem para um bem-estar integral.


Classificação de Esportes pela ILAE

A ILAE classifica os esportes em três grupos, levando em consideração o risco associado a pessoas com epilepsia:

  1. Grupo A - Baixo Risco:

  • Atividades individuais de baixo impacto, como caminhada, ioga e ciclismo, são consideradas de baixo risco. Essas atividades geralmente não representam ameaças significativas em termos de desencadeamento de crises.

  1. Grupo B - Risco Moderado:

  • Esportes que envolvem um certo grau de contato e risco moderado, como natação e corrida, são classificados como de risco moderado. Embora ainda sejam praticáveis, a supervisão e a avaliação individualizada são importantes.

  1. Grupo C - Alto Risco:

  • Esportes de contato intenso e alto risco, como boxe, luta e esportes automobilísticos, são considerados de alto risco. Essas atividades apresentam maior probabilidade de desencadear crises e, portanto, são desencorajadas.


Considerações Individuais e Orientações Médicas

  1. Avaliação Médica:

  • Antes de iniciar qualquer programa de exercícios, é crucial passar por uma avaliação médica abrangente. O médico especializado em epilepsia pode fornecer orientações específicas com base no histórico clínico individual.

  1. Adaptações Personalizadas:

  • A escolha das atividades deve ser personalizada, levando em consideração a gravidade da epilepsia, a frequência das crises e outros fatores de saúde. Atividades mais seguras e adaptadas às habilidades individuais são fundamentais.

  1. Supervisão Adequada:

  • Independentemente da categoria de risco, a supervisão adequada é crucial. Isso é particularmente importante em atividades de risco moderado, onde a avaliação contínua pode ajudar a ajustar o nível de intensidade conforme necessário.


Educação e Desmistificação

  1. Conscientização Pública:

  • A desmistificação da relação entre epilepsia e atividades físicas é essencial. A educação pública pode ajudar a combater estigmas e promover a inclusão de pessoas com epilepsia em ambientes esportivos.

  1. Incentivo à Participação:

  • Incentivar a participação de indivíduos com epilepsia em atividades físicas promove não apenas benefícios individuais, mas também contribui para uma sociedade mais inclusiva e informada.


Conclusão: Escolhas Conscientes para uma Vida Ativa

A conexão entre epilepsia e práticas esportivas exige uma abordagem consciente e informada. Ao reconhecer os benefícios do exercício, é crucial fazer escolhas adaptadas às necessidades individuais e ao perfil de saúde de cada pessoa. A classificação proposta pela ILAE fornece um guia valioso, mas a orientação médica individualizada é indispensável para garantir a segurança e a eficácia do programa de exercícios. Através da educação, desmistificação e incentivo à participação, podemos criar ambientes inclusivos que promovam a saúde integral de pessoas com epilepsia.


Em muitos casos, há necessidade de atestado médico por escrito do neurologista permitindo, para isso ele se baseia em diversos fatores, como síndrome epiléptica; adesão ao tratamento; gatilhos de crises; a probabilidade de ocorrência da crise; os tipos e severidade das crises; o período que as crises costumam ocorrer; atitude da pessoa a aceitar algum nível de risco; em qual dos grupos está classificado o esporte em questão e outros.


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Dra. Valéria Gandolfi Geraldo

Pediatria - Neurologia Pediátrica

CRM-SP: 105.691 / RQE: 26.501-1

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