• Clinica NeuroGandolfi

Instrumentos de avaliação do Autista


O diagnóstico, geralmente, é realizado por pediatras do desenvolvimento e comportamento, neurologistas pediátricos e psiquiatras da infância e adolescência. Mas, para isso, o médico precisa também do parecer de outros profissionais, que estão habituados a atender crianças com atrasos do desenvolvimento e ajudam nessa questão, como psicólogos, fonoaudiólogos, fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais. Na verdade, o diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é multidisciplinar.


O diagnóstico é clínico, tanto para crianças, adolescentes, adultos ou idosos. Portanto, o médico se baseia na observação dos indicadores de desenvolvimento, do comportamento, funcionamento das habilidades emocionais, sociais e cognitivas e na história clínica da pessoa.


As escalas e testes de triagem e diagnóstico para identificação precoce do autismo, associando métodos de análise que identificam padrões comportamentais das crianças a partir da ótica dos pais e responsáveis, em casa, e dos educadores, nas instituições de ensino, constituem uma visão ampliada para o diagnóstico mais preciso. Não existem, mesmo a nível mundial, exames complementares capazes de, a partir de biomarcadores,

fazer o diagnóstico do autismo. Sendo assim, é importante a colaboração entre as famílias, os professores e profissionais de saúde para o diagnóstico precoce, melhora da

qualidade de vida e inclusão social das crianças e adolescentes.


Na avaliação padronizada do diagnóstico, o médico se utiliza de duas fontes principais de informação:

  1. Descrições dos pais, cuidadores e escola sobre o curso do desenvolvimento e padrões de comportamentos atuais do indivíduo.

  2. Informações a partir da observação direta do comportamento do indivíduo.

Critérios Diagnósticos do Transtorno do Espectro Autista pelo DSM-5

A. Déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos, conforme manifestado pelo que segue, atualmente ou por história prévia (os exemplos são apenas ilustrativos, e não exaustivos):

  1. Déficits na reciprocidade socioemocional, variando, por exemplo, de abordagem social anormal e dificuldade para estabelecer uma conversa normal a compartilhamento reduzido de interesses, emoções ou afeto, a dificuldade para iniciar ou responder a interações sociais.

  2. Déficits nos comportamentos comunicativos não verbais usados para interação social, variando, por exemplo, de comunicação verbal e não verbal pouco integrada a anormalidade no contato visual e linguagem corporal ou déficits na compreensão e uso gestos, a ausência total de expressões faciais e comunicação não verbal.

  3. Déficits para desenvolver, manter e compreender relacionamentos, variando, por exemplo, de dificuldade em ajustar o comportamento para se adequar a contextos sociais diversos a dificuldade em compartilhar brincadeiras imaginativas ou em fazer amigos, a ausência de interesse por pares.


Especificar a gravidade atual: A gravidade baseia-se em prejuízos na comunicação social e em padrões de comportamento restritos e repetitivos (ver Tabela 2).

B. Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, conforme manifestado por pelo menos dois dos seguintes, atualmente ou por história prévia (os exemplos são apenas ilustrativos, e não exaustivos):

  1. Movimentos motores, uso de objetos ou fala estereotipados ou repetitivos (p. ex., estereotipias motoras simples, alinhar brinquedos ou girar objetos, ecolalia, frases idiossincráticas).

  2. Insistência nas mesmas coisas, adesão inflexível a rotinas ou padrões ritualizados de comportamento verbal ou não verbal (p. ex., sofrimento extremo em relação a pequenas mudanças, dificuldades com transições, padrões rígidos de pensamento, rituais de saudação, necessidade de fazer o mesmo caminho ou ingerir os mesmos alimentos diariamente).

  3. Interesses fixos e altamente restritos que são anormais em intensidade ou foco (p. ex., forte apego a ou preocupação com objetos incomuns, interesses excessivamente circunscritos ou perseverativos).

  4. Hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais ou interesse incomum por aspectos sensoriais do ambiente (p. ex., indiferença aparente a dor/temperatura, reação contrária a sons ou texturas específicas, cheirar ou tocar objetos de forma excessiva, fascinação visual por luzes ou movimento).


Especificar a gravidade atual: A gravidade baseia-se em prejuízos na comunicação social e em padrões restritos ou repetitivos de comportamento (ver Tabela 2).


C. Os sintomas devem estar presentes precocemente no período do desenvolvimento (mas podem não se tornar plenamente manifestos até que as demandas sociais excedam as capacidades limitadas ou podem ser mascarados por estratégias aprendidas mais tarde na vida).


D. Os sintomas causam prejuízo clinicamente significativo no funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo no presente.


E. Essas perturbações não são mais bem explicadas por deficiência intelectual (transtorno do desenvolvimento intelectual) ou por atraso global do desenvolvimento. Deficiência intelectual e Transtorno do espectro autista costumam ser condições coexistentes. Para fazer o diagnóstico de TEA com Deficiência Intelectual, a comunicação social deve estar abaixo do esperado para o nível atual do desenvolvimento cognitivo.


Nota: Indivíduos com um diagnóstico do DSM-IV bem estabelecido de Transtorno autista, Transtorno de Asperger ou Transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação devem receber o diagnóstico de Transtorno do espectro autista. Indivíduos com déficits acentuados na comunicação social, cujos sintomas, porém, não atendam, de outra forma, critérios de Transtorno do espectro autista, devem ser avaliados em relação a transtorno da comunicação social (pragmática).


Especificar se:

  • Com ou sem comprometimento intelectual concomitante.

  • Com ou sem comprometimento da linguagem concomitante.

  • Associado a alguma condição médica ou genética conhecida ou a fator ambiental.

  • Associado a outro transtorno do neurodesenvolvimento, mental ou comportamental.

  • Com catatonia.

Instrumentos de avaliação do Autista

Os instrumentos diagnósticos mais utilizados para avaliação do Transtorno do Espectro Autista são listados a seguir:


(1) Escalas de Triagem:

  • Escala Modified Checklist for Autism in Toddlers (M-CHAT-R/F).

  • Questionário sobre Idades e Estágios (ASQ-4: "Ages and Stages Questionnaires").

  • Escalas Bayley III de Desenvolvimento do Bebê e da Criança Pequena.

  • Escala de avaliação de Traços Autísticos (ATA).

  • Escala de Responsabilidade Social, Segunda Edição (SRS-2)

  • Questionário de Comunicação Social (SCQ).

  • Escala de Comportamentos Adaptativos Víneland-3.

  • Sistema PROTEA-R- NV. de avaliação de suspeita de TEA e outros Transtornos da Comunicação.

  • Teste de Triagem de Desenvolvimento Infantil Denver II.

  • Caderneta de Saúde da Criança do Ministério da Saúde do Governo Federal.

  • Protocolo PREAUT.

  • Protocolo IRDI – Indicadores de Risco para Desenvolvimento Infantil de 0 a 18 meses.

  • Checklist de Avaliação do tratamento do TEA (ATEC).

  • Autism Behavior Checklist – ABC ou ICA (Lista de Checagem de Comportamento Autístico).

  • Behavioural Observation Scale for Autism de Freeman (BOS).

  • Echelle d`évaluation des Comportements Autistiques (ECA).


(2) Escalas Diagnósticas:

  • Escalas CARS-2 (Escala de Classificação de Autismo na Infância, Segunda Edição).

  • Instrumentos ADOS-2 (Protocolo de Observação para Diagnóstico de Autismo ).

  • Instrumento ADI-R (Entrevista Diagnóstica para Autismo Revisada).


(3) Instrumentos para elaborar o Plano de Intervenção Individual:

  • Inventário Portage Operacionalizado de avaliação do Desenvolvimento Infantil.

  • Checklist Curriculum do Modelo Denver de Intervenção Precoce Para Crianças Pequenas com Autismo (ESDM).

  • Protocolo VB-Mapp (Avaliação de Marcos do Comportamento Verbal e Programa de Nivelamento).

  • ABLLS-R.

  • Social Savvy Checklist.

  • Social Skills.

  • ABLA-R.

  • PEAK.

  • AFLS.

  • Essential for Living.

  • IGLR (Inventário do Bom Aprendiz).

  • Perfil Psicoeducacional 3 Edição (PEP-3).


Esses protocolos são minuciosos e com variação no tempo de aplicação.


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Dra. Valéria Gandolfi Geraldo

Pediatria - Neurologia Pediátrica

CRM-SP: 105.691 / RQE: 26.501-1


Sugestões de Leitura:


“Identificação, Avaliação e Manejo de crianças com Transtorno do Espectro Autista”, da Academia Americana de Pediatria.👇🏻

https://pediatrics.aappublications.org/content/pediatrics/145/1/e20193447.full.pdf


"Promovendo o desenvolvimento ideal: Triagem de Problemas comportamentais e emocionais." da Academia Americana de Pediatria. 👇🏻

https://pediatrics.aappublications.org/content/pediatrics/135/2/384.full.pdf


"Triagem precoce para Autismo/ Transtorno do Espectro Autista" da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) 👇🏻

https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/2017/04/19464b-DocCient-Autismo.pdf

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