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O que é plagiocefalia posicional?

Atualizado: Jan 11


Um em cada dez bebês sofre de plagiocefalia posicional. Já adiantamos a boa notícia: ela é tratável e pode ser evitada com bons hábitos.


A plagiocefalia posicional é uma deformação do crânio do bebê que ocorre por causa de uma pressão externa. Consiste em um leve esmagamento ou deformação na parte de trás da cabeça. Também pode ocorrer nas laterais ou na área parietal.


Por causa dessa condição, os pediatras recomendam certas posições para o bebê dormir. Antigamente aconselhava-se colocar o bebê de bruços, mas essa posição começou a ser associada a alguns casos de morte súbita. Por isso, os especialistas começaram a recomendar que os recém-nascidos dormissem de barriga para cima.


Embora sejam atribuídas algumas consequências no desenvolvimento da criança, a plagiocefalia não apresenta maiores riscos. Um diagnóstico claro pode reverter os efeitos da plagiocefalia e o tratamento não é invasivo nem incomoda as crianças.


Como a plagiocefalia posicional é causada?


Todas elas estão relacionadas a condições externas, o que descarta a possibilidade de ser uma doença congênita. Existem três causas comuns associadas à plagiocefalia posicional. 

  •  Postura estática. Nos primeiros meses de vida, a mobilidade do bebê é limitada. A menos que se interfira, isso faz com que ele passe muito tempo na mesma posição.

O fato de deixar o bebê na mesma posição no berço por muito tempo pode causar a plagiocefalia posicional. O mesmo acontece na sua cadeirinha ou em qualquer outro lugar em que o bebê estiver descansando. Isso ocorre porque a cabeça da criança fica apoiada, exercendo uma pequena pressão contra a superfície desses objetos.


  • Pressão uterina. Há casos de plagiocefalia em bebês que se desenvolveram em úteros pequenos ou que fizeram parte de uma gravidez múltipla. Da mesma forma, o bebê pode apresentar torcicolo muscular devido à falta de espaço.

Isso pode acontecer se o útero apresentar alguma deformação ou ocorrer problemas com o líquido amniótico. Outra possibilidade é o feto ter crescido demais para o espaço que tinha, causando o esmagamento.


  • Parto instrumental. Alguns bebês apresentaram plagiocefalia quando fórceps ou ventosas foram usados durante o parto. Em alguns casos, esses instrumentos podem causar malformações.

Outras causas associadas à plagiocefalia posicional são os nascimentos prematuros. Uma possível explicação seria que o bebê ainda não tem a cabeça totalmente desenvolvida. Por outro lado, também pode ser devido ao tempo que ele passa na mesma posição.

A plagiocefalia posicional é um leve esmagamento ou deformação na parte de trás da cabeça. Ela também pode ocorrer nas laterais da cabeça ou na zona parietal.

O que fazer em caso de suspeita de plagiocefalia posicional?

Cerca de 10% dos recém-nascidos sofrem de plagiocefalia posicional. As consequências imediatas desta condição são principalmente estéticas. A maioria dos especialistas descarta qualquer problema neurológico associado a essa deformação.


A principal maneira de diagnosticar uma plagiocefalia posicional é através da observação. Durante o exame de rotina, o pediatra deve observar e medir a cabeça do bebê. Um bebê com plagiocefalia apresenta uma deformação óbvia na parte de trás ou no lado da cabeça.


Outra maneira de confirmar que o crânio não está redondo é através do toque, usando a técnica “dedo, mão, polegar”. Com muito cuidado, o adulto coloca os dedos mínimos na parte de trás de cada orelha do bebê, apoiando a palma da mão na lateral e os polegares se juntam na cabeça formando um semicírculo perfeito.

Como a plagiocefalia posicional pode ser evitada?


Existem certos hábitos saudáveis que os pais podem ter no cuidado do bebê para evitar esse tipo de problema na criança.


  • Mudança constante de posição. Troque o bebê de lado enquanto dorme para evitar a mesma postura.

  • Colocar o bebê de bruços quando estiver acordado. Esta posição é recomendada a partir dos três meses ou quando o bebê começa a conseguir manter a cabeça firme.

  • Usar travesseiros especiais. Os travesseiros especiais têm um buraco no meio para que o bebê possa apoiar a cabeça sem fazer pressão.

  • Pegar o bebê no colo. A maneira mais eficaz de evitar a plagiocefalia é manter o bebê no colo a maior parte do dia. Para isso você pode usar o método canguru.

Para tratar a plagiocefalia, os médicos recomendam alguns exercícios de fisioterapia que melhoram a condição. Após o diagnóstico e as indicações médicas, os pais serão os principais responsáveis por ajudar o bebê.


Nos casos em que a plagiocefalia é mais evidente, aconselha-se usar um capacete especial próprio para esse fim. Este capacete tem uma abertura no local em que a cabeça está afundada. O bebê deve usar este capacete por 24 horas, por cerca de 4 meses.


Plagiocefalia associada a craniossinostose


Crianças com crânio assimétrico podem ter plagiocefalia posicional ou plagiocefalia associada a craniossinostose – a fusão precoce de ossos do crânio. O capacete pode ser usado nos dois tipos de plagiocefalia. Diante de um bebê com cabeça assimétrica, é preciso responder a três perguntas: A assimetria do formato da cabeça estava presente ao nascimento? Se estivesse, há uma chance de que o paciente tenha craniossinostose, a qual requer avaliação por neurocirurgião, uma vez que muitos casos exigem tratamento cirúrgico. Deve-se ter em mente que alguns recém-nascidos com cabeça assimétrica têm apenas torcicolo congênito, o qual se acompanha de plagiocefalia. Se a resposta for negativa, passamos à segunda pergunta; a assimetria da cabeça mostra as características típicas da plagiocefalia posicional? Essas características incluem abaulamento da fronte no lado oposto, deslocamento para a frente da orelha no mesmo lado do achatamento da região occipital, ossos cranianos móveis à palpação etc. Se a resposta for positiva, passamos à terceira pergunta; qual o grau de assimetria da cabeça? Estima-se o grau de assimetria através de várias medidas do diâmetro da cabeça. Se a assimetria for considerada grave, o capacete pode estar indicado.

A plagiocefalia posicional aumentou de frequência nas últimas duas décadas, justamente na época em que adotou-se a norma de pôr os bebês para dormir de barriga para cima. A posição reduz o risco de morte súbita, por isso é recomendada.

Acredita-se que cerca de 25% dos bebês apresentam assimetria da cabeça no primeiro semestre de vida. É fácil entender a ocorrência de plagiocefalia posicional se lembrarmos que bebês dessa idade possuem ossos maleáveis e apresentam crescimento intenso da cabeça. Plagiocefalia posicional significa a presença de um formato assimétrico da cabeça resultante da ação de forças externas, como por exemplo, a compressão da cabeça do feto pelos ossos maternos ou achatamento de um lado da cabeça porque o bebê dorme sempre sobre o mesmo lado. Se a assimetria da cabeça começou na vida intrauterina, ultrassonografias de boa qualidade poderão diagnosticá-la durante a gestação. Quando a plagiocefalia decorre do apoio da cabeça sobre um mesmo lado durante o sono, a assimetria se torna evidente nos primeiros meses de vida, muitas vezes acompanhada de rarefação dos cabelos sobre a área achatada na parte posterior da cabeça .


O capacete corrige a plagiocefalia, redirecionando o crescimento do crânio, e é indicado para casos graves. Mas há outras formas de tentar corrigir o problema.


Existem basicamente dois tipos de tratamento da plagiocefalia. O tratamento conservador baseia-se em fisioterapia (sobretudo se a criança tiver torcicolo congênito), promoção da posição de bruços por 15 a 20 minutos, de quatro a cinco vezes ao dia quando o bebê estiver acordado, trocas frequentes da posição em que o bebê dorme em relação ao berço, e mudança do lugar do berço em relação ao ambiente e às atividades externas. A princípio, o tratamento conservador é preferível. Quando o bebê chega aos 5 ou 6 meses de idade com assimetria significativa, ou em qualquer idade se a plagiocefalia posicional for considerada grave, o uso do capacete pode ser indicado. O capacete é moldado em cada bebê de modo a ajustar-se às áreas do crânio que são simétricas e deixar espaço na área achatada, promovendo a expansão da última. O tempo de tratamento depende de dois fatores: a idade da criança e o grau de assimetria da cabeça. A duração varia de 1 a 4 meses, mas é fundamental que a criança use o capacete mais de 20 horas por dia.


É difícil encontrar o capacete no Brasil e o custo é alto. Não há nenhum serviço médico do SUS que ofereça o tratamento da plagiocefalia por meio do equipamento. Mas quando o capacete é indicado, há bons resultados e a ausência de tratamento ortóptico poderá deixar a criança com a cabeça permanentemente assimétrica. O tratamento deve ser iniciado até os 18 meses de idade.


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Dra. Valéria Gandolfi Geraldo

Pediatria - Neurologia Pediátrica - Desenvolvimento e Comportamento Infantil

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