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Quando não amamentar? Razões médicas REAIS que impedem a amamentação.

Atualizado: Mai 26


Quando não amamentar é a realidade de muitas mães, é preciso abraçar esta mãe, pois o sofrimento pode ser grande. As vezes aquela mãe idealizou a amamentação e se vê em uma situação médica que a impede de amamentar.


A grande maioria das mulheres podem amamentar, as razões médicas para não amamentar são poucas e raras. Certamente “leite fraco” ou “fissuras” e qualquer outro problema durante o processo não são razões médicas para o desmame.


Muito menos quando o bebê não ganha peso suficiente. Nem mesmo neste caso, o desmame é aconselhado, muito pelo contrário, o ideal é que haja manejo adequado do aleitamento materno para quê aquele bebê que não ganha peso suficiente seja ajudado a mamar de forma eficaz e tudo que o impede seja retirado da história de amamentação daquela dupla.


Então, há muitos palpiteiros que indicam o desmame, sem ter uma razão médica aceitável para tal. Fique atenta e sempre busque outras opiniões quando o desmame for o indicado por alguém. Nunca aceite esta primeira recomendação sem antes conversar com profissionais de aleitamento materno.


Há um pequeno número de mães que não podem ou não devem amamentar seus filhos. E quando não amamentar é a opção de verdade?


Existem algumas condições médicas que não são compatíveis com a amamentação. Em algumas situações, pode ser possível ordenhar e fornecer leite materno em um copinho temporariamente, em seguida, voltar a amamentar. No entanto, em outros casos, um bebê não deve receber leite materno, infelizmente.


1. Baixa produção de leite materno é razão para desmame?

Em grande parte dos casos, a baixa produção de leite materno é resultado de uma condição externa como o uso de bicos (chupetas, mamadeiras e intermediários) ou de alguma mamoplastia que foi muito agressiva na retirada dos tecidos mamários (ainda assim muitas mulheres com mamoplastia amamentam normalmente). Ou até mesmo de pega inadequada ou pela inserção de leite artificial sem necessidade, pois estas situações criam um ciclo de problemas que diminuem a produção.


Para resolver a questão é preciso eliminar os agentes causadores do problema em vez de desmamar. Uma mãe que produziu pouco leite em algum momento por causa destes fatores é plenamente capaz de voltar a amamentar e aumentar seu leite com as técnicas adequadas.


Possíveis causas de baixa produção de leite materno:

  • Tecido glandular insuficiente (seios hipoplásicos).

  • Síndrome dos ovários policísticos (o que também pode ser questionável, pois apesar de ter sido estudado como uma razão para tal, muitas mulheres com ovários policísticos amamentam normalmente).

  • Hipotiroidismo.

  • Uma cirurgia de mama anterior, como uma mastectomia ou uma cirurgia de redução de mama muito agressiva (muitas mulheres com mamoplastia amamentam normalmente).

  • Tratamento prévio de radiação para câncer de mama.

  • Uso de bicos, mamadeiras e intermediários e até inserir fórmula sem necessidade real.


Lembre-se que nem todas estas causas são definitivas e podem ser corrigidas para aumentar o leite materno e caso você esteja em uma situação de baixa produção que não tem como corrigir, você pode continuar amamentando com a produção que tem e complementar o restante através da translactação – processo onde o bebê suga o leite artificial através de uma pequena sonda fixada em seu peito junto com o leite materno.


Qualquer quantidade de leite materno que você possa dar ao seu filho é bom para ele.


2. Uso e dependência de drogas ilegais

O uso de drogas ilegais não é compatível com a gravidez, amamentação ou criação. Além de serem ilegais, as drogas são perigosas para mãe e filho.


As drogas entram no leite materno e passam para o bebê. Quando os bebês recebem drogas ilícitas através do leite materno, podem ter irritabilidade, sonolência, não conseguir mamar o suficiente e nem se alimentar bem, problemas de crescimento, dano neurológico e até mesmo a morte. Bebês que nascem de mães dependentes químicas podem nascer com a Síndrome da Abstinência neonatal.


O uso de drogas recreativas coloca uma mãe em risco de contrair doenças infecciosas como HIV e HTLV e prejudica sua capacidade de cuidar de seu filho. As mães que usam drogas ilegais durante a gravidez e a amamentação podem perder a custódia de seus filhos.


Por outro lado, os antigas usuárias de drogas podem amamentar. Aquelas que se recuperaram ou estão em tratamento para recuperação, que atualmente estejam livres de drogas e sejam negativas para o HIV, devem discutir seu desejo de amamentar com os profissionais de saúde.


3. Uso de medicações?

Muitos medicamentos são compatíveis com a amamentação, mas alguns não são. Certos medicamentos prescritos podem prejudicar o bebê, e outros medicamentos podem causar uma diminuição na produção de leite.


Fale com o seu médico antes de iniciar um novo medicamento e informe sempre ao médico que está amamentando. Se você tiver que tomar remédio, pergunte se é seguro usar enquanto está amamentando ou se há uma alternativa segura.


Sempre informe ao médico que está amamentando, ele poderá escolher o melhor remédio para o seus caso, pois pode haver outros medicamentos compatíveis que poderiam substituir o tratamento indicado para você.


4. Doenças: Quando não amamentar?

Muitas infecções comuns são facilmente tratadas e não interferem na amamentação ou prejudicam o bebê.


Por outro lado, existem algumas doenças infecciosas que podem passar para o bebê através do leite materno e o risco de transmissão supera os benefícios da amamentação. Essas condições incluem:


HIV:

O vírus da imunodeficiência humana (HIV) é o vírus que causa a síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS). Uma mãe que tem HIV pode passar o vírus para o filho através da amamentação e do leite materno.


Uma vez que a AIDS não tem cura, a mãe que é HIV positiva não deve amamentar se ela mora em uma área do mundo onde uma alternativa segura está disponível como o leite artificial. No entanto, em países onde uma substituição segura não é possível (e somente nestes países, não no Brasil), a amamentação exclusiva pode ser recomendada.


HTLV:

O vírus 1 do linfotrópico das células T humanas (HTLV-1) é um vírus que pode levar a leucemia e linfoma. O vírus linfotrópico das células T humanas 2 (HTLV-2) pode causar problemas cerebrais e pulmonares.


Esses vírus podem não causar nenhum tipo de sintomas, mas são condições de vida ao qual não há cura. Uma vez que HTLV-1 e HTLV-2 podem passar para o bebê através do leite materno, o bebê não deve mamar no peito.


Tuberculose com infecção ativa:

A tuberculose é uma infecção bacteriana nos pulmões transmitida através de gotículas respiratórias, não pela amamentação ou leite materno.


A questão a se decidir não é se o bebê pode mamar ou não, mas se ele pode ficar junto à mãe, já que em alguns casos o contágio se dá por vias aéreas.


O tratamento da tuberculose após algumas semanas já torna a doença não contagiosa, então tudo depende do momento da doença em que se está.


Quando o diagnóstico foi feito dias depois e a mãe e bebê já estão em contato, não seria útil separá-los porque o bebê já teria sido exposto ao contágio e é melhor que mame no peito para receber anticorpos da mãe também. Segundo a OMS, as recomendações são: não separar o bebê da mãe, se a mãe estiver em tratamento há mais de 2 meses no momento do parto, comprovar a negatividade de duas expectorações e continuar o tratamento, se a mãe esta em tratamento a menos de 2 meses, continuar o tratamento e também tratar o bebê por 6 meses.


Brucelose

Na fase aguda da doença grave, o aleitamento materno deve ser evitado, após o tratamento pode-se reestabelecer a amamentação.


Herpes com bolhas ativas na região do peito:

A herpes não é transmitida pelo leite materno, desde que as lesões não estejam no peito, qualquer lesão em outras partes do corpo são cobertas e com lavagem completa das mãos, se torna seguro amamentar.


No entanto, quando há lesões ativas na mama, a amamentação é perigosa. O vírus da herpes pode ser mortal para um bebê.


Câncer em tratamento:

O tratamento contra o câncer não é compatível com a amamentação e neste caso, é recomendado que a mãe não amamente e faça o tratamento até estar totalmente curada do câncer. Depois de curada e sem o uso de medicações para combater a doença e quimioterapia, é possível amamentar.


Quando um bebê não pode mamar, dependendo da situação como em casos de internação materna, ele ainda pode receber leite materno ordenhado.


Mães e bebês são únicos, assim como todas as situações que envolvem a amamentação. Se você deseja amamentar, mas é-lhe dito que não pode; pode ser devastador. Tudo bem sentir-se brava ou triste e se dê um tempo para trabalhar com suas emoções.


Também pode ser útil falar sobre seus sentimentos com seu médico, parceiro(a) ou alguém que você confia. Tente lembrar que as conexões se fortalecem cada vez que você carrega seu bebê no colo, conversa com ele, o conforta e o atende com amor e carinho.


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Dra. Valéria Gandolfi Geraldo

Pediatria - Neurologia Pediátrica

CRM-SP: 105.691 / RQE: 26.501-1


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