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Caminhos da Evidência: Estratégias Não Medicamentosas para Intervenção no Autismo



Caminhos da Evidência: Estratégias Não Medicamentosas para Intervenção no Transtorno do Espectro Autista (TEA)


Introdução: No tratamento do Transtorno do Espectro Autista (TEA), intervenções não medicamentosas desempenham um papel crucial, buscando promover o desenvolvimento global e a qualidade de vida das pessoas com TEA. Estas estratégias, fundamentadas em evidências científicas, oferecem uma abordagem integral para abordar os desafios associados ao TEA. Vamos explorar algumas dessas estratégias, respaldadas por pesquisas e práticas comprovadas.


1. Ciência Análise do Comportamento Aplicada (ABA):

  • Descrição: A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é uma terapia comportamental que se baseia em reforçar comportamentos positivos e ensinar novas habilidades.

  • Evidências: Diversos estudos demonstraram a eficácia da ABA na melhoria de comportamentos sociais, habilidades acadêmicas e independência funcional em crianças com TEA.

2. Intervenção Precoce:

  • Descrição: Iniciar intervenções antes dos 3 anos de idade, focando no desenvolvimento social, emocional e cognitivo.

  • Evidências: Pesquisas indicam que intervenções precoces têm um impacto positivo no desenvolvimento de crianças com TEA, resultando em melhorias significativas nas habilidades sociais e de comunicação.

3. Intervenção baseada em Comunicação Suplementar e Aumentativa (CSA):

  • Descrição: Utilização de ferramentas e estratégias para apoiar a comunicação em pessoas com dificuldades na fala.

  • Evidências: Estudos sugerem que a CSA pode melhorar as habilidades de comunicação e reduzir comportamentos interferentes em crianças com TEA.

4. Terapia Ocupacional com Enfoque em Integração Sensorial de Ayres:

  • Descrição: Utilização de atividades que visam melhorar a integração sensorial e habilidades motoras finas.

  • Evidências:  A Terapia Ocupacional com abordagem em Integração Sensorial de Ayres pode beneficiar o comportamento e a funcionalidade em crianças com TEA.

5. Musicoterapia:

  • Descrição: Utilização da música como ferramenta terapêutica para abordar objetivos específicos.

  • Evidências: A Intervenção Baseada em Música com Musicoterapeuta pode melhorar a comunicação, interação social e reduzir comportamentos interferentes em crianças com TEA.

6. Treinamento Parental:

  • Descrição: Capacitar os pais com estratégias para apoiar o desenvolvimento e o comportamento de seus filhos.

  • Evidências: O treinamento parental tem demonstrado ser eficaz na redução de comportamentos desafiadores e no aumento de habilidades adaptativas em crianças com TEA.

7. Movimentando Conquistas: Intervenção Baseada em Exercício e Movimento

  • Descrição: A Intervenção Baseada em Exercício e Movimento no Autismo é uma abordagem terapêutica que reconhece o impacto positivo da atividade física no desenvolvimento global de crianças com TEA. Essa intervenção visa integrar movimentos planejados e estruturados para promover benefícios físicos, cognitivos e sociais.

  • Evidências: Estudos têm indicado que a prática regular de exercícios e atividades motoras pode contribuir para melhorias significativas em diversas áreas para crianças com TEA. Entre os benefícios observados estão a melhoria nas habilidades motoras, a redução de comportamentos interferentes, o aumento da interação social e a promoção do bem-estar emocional. A abordagem baseada em exercícios e movimento demonstra ser uma ferramenta valiosa para potencializar o desenvolvimento e a qualidade de vida de crianças no espectro do autismo.

8. Comunicando Conquistas: Terapia da Fala e Linguagem com Fonoaudiólogo:

  • Descrição: A Terapia da Fala e Linguagem, conduzida por fonoaudiólogos, é uma intervenção essencial no contexto do TEA. Esta terapia concentra-se no desenvolvimento da comunicação, linguagem e habilidades sociais, proporcionando estratégias personalizadas para melhorar a expressão verbal e não verbal.

  • Evidências: Evidências científicas destacam a eficácia da Terapia da Fala e Linguagem no Autismo. Estudos indicam melhorias na comunicação, tanto receptiva quanto expressiva, na redução de comportamentos interferentes relacionados à comunicação, e na promoção do desenvolvimento das habilidades sociais. O trabalho do fonoaudiólogo desempenha um papel vital no apoio à comunicação eficaz e no aprimoramento das interações sociais para crianças com TEA.

9. Guiando o Aprendizado: Plano de Ensino Individualizado (PEI) na escola:

  • Descrição: O Plano de Ensino Individualizado (PEI) é uma ferramenta fundamental na educação de crianças com TEA. Este plano personalizado visa adaptar o ambiente educacional às necessidades específicas do aluno, fornecendo estratégias e metas direcionadas para otimizar o aprendizado, a inclusão e o desenvolvimento global.

  • Evidências: Evidências científicas e práticas educacionais destacam a eficácia do PEI no Autismo. Estudos indicam melhorias no desempenho acadêmico, nas habilidades sociais e na promoção da autonomia quando os alunos têm acesso a um PEI adaptado às suas características individuais. O PEI é uma ferramenta valiosa que fortalece a abordagem inclusiva, garantindo que cada estudante com TEA tenha a oportunidade de alcançar seu máximo potencial educacional.

10. Cuidado Integrativo: Medicina Integrativa e Funcional no Autismo

  • Descrição: A Medicina Integrativa e Funcional no Autismo abraça uma Abordagem Integral do TEA, considerando a interconexão entre corpo, mente e estilo de vida, promovendo um desenvolvimento saudável e sustentável. Essa prática considerando não apenas os comportamentos, mas também os fatores nutricionais, imunológicos, alérgicos, neurológicos, genéticos, inflamatórios, infecciosos, gastrointestinais,  sociais e emocionais que impactam a saúde de crianças autistas. Busca identificar e tratar as causas subjacentes dos comportamentos, promovendo a saúde integral.

  • Evidências: Embora as evidências estejam em constante evolução, estudos indicam que a Medicina Integrativa e Funcional pode oferecer benefícios significativos no manejo do TEA. Estratégias como ajustes nutricionais e suplementação específica e personalizada, com evidências científicas, têm demonstrado melhorar condicções coexistentes ao Autismo, como desregulação sensorial, dificuldades alimentares, transtorno do ciclo sono-vigilia, comportamentos interferentes e aspectos imunológicos, alérgicos, inflamatórios, infecciosos e gastrointestinais.  A abordagem integrativa e funcional destaca-se como uma ferramenta promissora para complementar o cuidado convencional no tratamento do Autismo.

11. Nutrição Sustentando Bem-Estar: O Papel da Nutricionista no Autismo

  • Descrição: A atuação da nutricionista no contexto do TEA concentra-se em promover uma alimentação saudável e equilibrada para otimizar o bem-estar geral. Considerando as necessidades individuais de cada criança com TEA, a nutricionista busca desenvolver planos alimentares personalizados, levando em conta preferências, intolerâncias alimentares e possíveis influências nutricionais nos comportamentos do autista.

  • Evidências: Estudos evidenciam que as intervenções nutricionais podem ter impacto positivo em comportamentos associados ao TEA. Algumas pesquisas exploram a relação entre a dieta e a melhoria de desafios gastrointestinais, desregulação sensorial e comportamentos alimentares seletivos. A atuação da nutricionista destaca-se como uma abordagem integral no suporte à saúde e ao bem-estar de crianças com TEA.

12. Terapia Congnitivo Comportamental (TCC)/Estratégias de Instrução:

  • Descrição:  A Terapia Congnitivo Comportamental (TCC)/Estratégias de Instrução está indicada na intervenção de crianças com TEA sem Transtorno do Desennvolvimento Intelectual (TDI) e com leve ou nenhum prejuízo da linguagem funcional, nível 1 e suporte, acima de 6 anos de idade.

  • Evidências:  Diversos estudos demostram à melhora das características desadaptativas de crianças com TEA, sem TDI, com leve ou nenhum prejuízo da lingaugem funcional, nível 1 de suporte, acima de 6 anos de idade, com a Terapia Congnitivo Comportamental (TCC)/Estratégias de Instrução, assim, como o desenvolvemento de suas habilidades e potencialidades, treino de habilidades sociais e manejo de comportamentos interferentes.  

13. Educação Personalizada: Psicopedagogia

  • Descrição: A Psicopedagogia no contexto do TEA assume um papel fundamental na promoção do desenvolvimento cognitivo e na adaptação de estratégias de aprendizado. O psicopedagogo trabalha para identificar as potencialidades e desafios individuais, adaptando métodos e recursos para criar um ambiente educacional inclusivo e estimulante.

  • Evidências: A adaptação de práticas pedagógicas às características individuais das crianças autistas tem mostrado benefícios. A personalização do ensino, a utilização de recursos visuais e a promoção de estratégias de aprendizado específicas para cada aluno têm sido associadas a melhorias na comunicação, interação social e no desenvolvimento acadêmico de crianças com TEA. A atuação da Psicopedagogia contribui para criar ambientes educacionais que atendem às necessidades únicas de cada estudante no espectro do autismo.


Conclusão: As estratégias não medicamentosas para intervenção no TEA baseadas em evidências não apenas abordam os comportamentos e alterações sensoriais diretamente, mas também visam promover a autonomia, a qualidade de vida e a participação plena na sociedade. Ao adotar abordagens respaldadas por pesquisas, estamos comprometidos em oferecer suporte eficaz e personalizado para as crianças com TEA, reconhecendo e valorizando suas habilidades únicas.


Referencias:

1.    Transtorno do Espectro Autista. Manual de Orientação. Departamento Científico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento. Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). No 5, abril de 2019.

2.    Maria Augusta Montenegro, Helio van der Linden Junior, Erasmo Barbante Casella, Carlos Gadia, Eloisa Helena Rubello Valler Celeri, Leticia Pereira de Brito Sampaio. Proposta de Padronização Para o Diagnóstico, Investigação e Tratamento do Transtorno do Espectro Autista. Sociedade Brasileira de Neurologia Infantil (SBNi), 2021.

4.    Steinbrenner JR, Hume K, Odom SL, et al. Evidence-based practices for children, youth, and young adults with autism (2020). The University of North Carolina at Chapel Hill, Frank Porter Graham Child Development Institute, National Clearinghouse on Autism Evidence and Practice Review Team.

5.    Hyman SL, Levy SE, Myers SM, Council on Vhildren with Disabilities, Section on Developmental and Behavioral Pediatrics. Identification, Evaluation, and Management of Children with Autism Spectrum Disorder. Pediatrics 2020;45:e20193447


Dra. Valéria Gandolfi Geraldo

Pediatria - Neurologia Pediátrica

CRM-SP: 105.691 / RQE: 26.501-1

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