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Instrumentos ADOS-2 e ADI-R: padrão ouro no diagnóstico de autismo

Atualizado: Abr 5


📍 Como todos sabem, o Transtorno do Espectro Autista (TEA) não tem cara, não tem forma e muito menos exame de imagem ou de laboratório que faça o seu diagnóstico. Ele depende de uma observação clínica, escolar e doméstica, levando em conta o cotidiano e a interação com outras crianças.


❗ É impossível fazer o diagnóstico de TEA, sem saber como se comporta o indivíduo. Logo, por ser muito complicado chegar ao diagnóstico definitivo à primeira vista, por existir diversas facetas clínicas e formas de comportamento da criança, foram criadas duas escalas extremamente específicas e bem definidas para fechar o diagnóstico de TEA.


➡ ADOS-2: escala de observação - à partir de 12 meses. ➡ ADI-R: escala de entrevista - á partir de 18 meses de idade mental.


✔ Tanto uma escala quanto a outra, só podem ser aplicados por quem tenha experiência, seja capacitado e obteve a Certificação internacional e Acreditação Clínica: Autism Diagnostic Observational Schedule - ADOS-2 e Autism Diagnostic Interview – ADI-R. Essas duas escalas também servem como ponto de partida para observar a evolução da criança a partir do diagnóstico, mostrando o grau de autismo ou determinados prejuízos específicos.


Os Instrumentos ADOS-2 (Autism Diagnostic Observational Schedule) e ADI-R (Autism Diagnostic Interview) são para diagnóstico e devem ser usados em conjunto com as Escalas CARS-2 (Childhood Autism Rating Scale, Second Edition ou Escala de Classificação de Autismo na Infância, Segunda Edição).


NÃO devem ser usados para triagem na população em geral. Só devem ser utilizados depois que o individuo foi avaliado pelos instrumentos de triagem e o quadro é sugestivo de TEA. Eles são instrumentos diagnósticos.

Uma das baterias mais detalhadas para auxílio na avaliação do diagnóstico de Transtorno do Espectro do Autismo, principalmente em pesquisa, é o Protocolo de Observação para Diagnóstico de Autismo (conhecido pela sigla ADOS-2 - Autism Diagnostic Observation Schedule-2). O ADOS foi originalmente desenvolvido por Lord et al., em 1989.


➡️ O ADOS-2 é uma avaliação padronizada e semiestruturada da comunicação, da interação social e jogo ou uso criativo de materiais para pessoas suspeitas de Transtorno do Espetro Autista (TEA). É um instrumento padrão ouro no diagnostico de TEA, planejado para pessoas com idade de 12 meses ou mais.


O propósito deste roteiro é fornecer uma série de contextos padronizados, visando a observação do comportamento social e comunicativo de indivíduos com TEA e transtornos relacionados.


A observação comportamental visa satisfazer duas finalidades: a primeira delas, diagnóstica, pois distingue o autismo de outros transtornos do neurodesenvolvimento e de pessoas com funcionamento típico. A segunda, de caráter investigativo, pois estuda diretamente a qualidade dos comportamentos sociais e comunicativos associados com o autismo.


🔹 Assim essa escala serve de ponto de partida para observar a evolução da criança a partir do diagnóstico.


🔹 A escala ADOS-2 é importante também para mostrar se o pequeno está demonstrando uma melhora significativa em um eixo de comportamento maior do que em outro.


🔷 A escala está estruturada em cinco módulos (t, 1, 2, 3 e 4), cada um específico para determinada idade e nível de linguagem. O ADOS-2 pode ser aplicado a idades, níveis de desenvolvimento e de comunicação verbal muito diferentes (desde 12 meses a adultos, desde os que não falam até aqueles que têm fala fluente). Cada módulo é composto por um conjunto de atividades que proporcionam contextos padronizados onde o avaliador pode observar ou não a presença de certos comportamentos sociais e comunicativos relevantes para o diagnóstico de TEA.


Na escolha do módulo a ser utilizado, leva-se em consideração a capacidade de intelectual e de linguagem e a idade cronológica do indivíduo. Devido a necessidade do Coeficiente de Inteligencia (QI) para pontuação adequada, esse instrumento só dever ser utilizado após avaliação da capacidade intelectual pelo neuropsicólogo.


Os comportamentos são classificados em quatro domínios:

  • interação social recíproca.

  • comunicação/linguagem.

  • comportamentos estereotipados/restritivos.

  • humor e comportamentos anormais não específicos.


A classificação geral é feita considerando-se uma gradação de três pontos: 0 = dentro dos limites normais; 1 = anormalidade rara ou possível; 2 = anormalidade clara/distinta.

A pontuação 7 é eventualmente usada para indicar comportamento anormal, mas que não é abrangido pela codificação.


🚫Quem pode aplicar a ADOS? Existe uma formação específica para a aplicação da ADOS-2, que consiste em um período de capacitação, que pode durar de 5 a 10 dias. Portanto, somente um profissional da saúde, após cumprido período de exigência para a formação, pode realizar essa escala enquanto avaliação diagnóstica para TEA.


🚨É importante ressaltar que as escalas não substituem o acompanhamento médico e de outros profissionais, mas servem de complemento para auxiliar no diagnóstico junto da equipe multi ou interdisciplinar.


Um instrumento que auxílio na avaliação do diagnóstico do Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), é Autism Diagnostic Interview-Revised – ADI-R (Entrevista Diagnóstica para Autismo Revisada). O ADI-R foi originalmente desenvolvido por Lord, Rutter, & Le Couteur, em 1994.


➡️ A ADI-R é um instrumento padrão ouro no diagnostico do TEA e consiste numa entrevista estruturada com 93 questões, que permite aos profissionais analisar, através dos pais ou cuidadores, a sintomatologia relacionada com o TEA, em pessoas com Idade mental superior a 18 meses.


🔷Incide sobre 3 domínios de maior relevância diagnóstica:

  • Linguagem / Comunicação.

  • Interação Social

  • Comportamentos/Interesses Restritos, Repetitivos e Estereotipados.


Para cumprir os critérios diagnósticos esboçados pela CID-11 e pelo DSM-V, o sujeito tem que satisfazer os critérios em cada um dos três domínios citados anteriormente (comunicação, interação social e comportamentos estereotipados), obtendo a pontuação mínima em cada um dos domínios, bem como exibir alguma anormalidade em pelo menos um destes domínios até os 36 meses de idade, obtendo uma pontuação mínima de ”1”.


Além disso, os itens da entrevista que recebem pontuação igual a ”3”, e quando pontuados no algoritmo recebem nota ”2”, para evitar julgamento impróprio de qualquer sintoma único.


Assim, para se fazer um diagnóstico de TEA, o comportamento do sujeito deve igualar ou exceder as notas de corte para todos os domínios avaliados.


🔷Pode constituir um ponto de partida para o diagnóstico de TEA e ser muito útil na definição de planos educativos e de tratamento. Permite uma quantificação da sintomatologia autista através de pontuações algorítmicas. Trata-se de uma prova que também poderá ser útil na avaliação de crianças com Transtornos graves ao nível da linguagem, de indivíduos com deterioração cognitiva avançada e de indivíduos com patologias associadas às do TEA.


🚫Quem pode aplicar a ADI-R? Existe uma formação específica para a aplicação da ADI-R, que consiste em um período de capacitação, que pode durar de 5 a 10 dias. Portanto, somente um profissional da saúde, após cumprido período de exigência para a formação, pode realizar essa escala enquanto avaliação diagnóstica para TEA.


🚨É importante ressaltar que as escalas não substituem o acompanhamento médico e de outros profissionais, mas servem de complemento para auxiliar no diagnóstico junto da equipe multi ou interdisciplinar.


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Dra. Valéria Gandolfi Geraldo

Pediatria - Neurologia Pediátrica - Desenvolvimento e Comportamento Infantil - Transtornos do Neurodesenvolvimento - Epilepsia

CRM-SP: 105.691 / RQE: 26.501-1

Rua Dr. Pedro Costa, 483 - 3o. andar, sala 32, Centro, Taubaté - SP

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