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ABA, Modelo Denver de intervenção, Son-Rise e Flootirme: qual indicar no tratamento do Autismo?


Análise do Comportamento Aplicada (ABA), Modelo Denver, Son-Rise e Floortime: Uma Análise Comparativa no Tratamento do Autismo

O autismo, também conhecido como Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), é um transtorno neurobiológico que afeta o desenvolvimento e a interação social. O tratamento do autismo é um campo complexo e diversificado, com diversas abordagens terapêuticas. Neste texto, vamos analisar quatro modelos de intervenção amplamente utilizados: Análise do Comportamento Aplicada (ABA), Modelo Denver, Son-Rise e Floortime, destacando suas características, métodos e eficácia.


1. Análise do Comportamento Aplicada (ABA):

A ABA é uma abordagem que se baseia nos princípios do comportamento, buscando entender e modificar comportamentos específicos. Utiliza técnicas de reforço positivo para ensinar habilidades sociais, comunicativas e acadêmicas. As intervenções são altamente estruturadas e individualizadas, focando na quebra de comportamentos complexos em passos mais simples.


Prós: 

A Análise do Comportamento Aplicada (ABA) é amplamente reconhecida e respaldada por evidências científicas substanciais, estabelecendo-se como o padrão-ouro no tratamento de diversos transtornos, incluindo o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), Transtorno do Desenvolvimento Intelectual (TDI), Atraso Global do Desenvolvimento e quadros assemelhados. Essa abordagem terapêutica baseada em princípios comportamentais possui um sólido respaldo empírico, com estudos e pesquisas que destacam sua eficácia, especialmente no desenvolvimento de habilidades sociais e comunicativas.


O reconhecimento da ABA como padrão-ouro é resultado de décadas de pesquisa e aplicação clínica. Seu embasamento teórico fundamenta-se na compreensão e modificação do comportamento humano por meio de técnicas específicas, sendo especialmente eficaz na abordagem de dificuldades associadas ao autismo e outros transtornos relacionados.


Os estudos e ensaios clínicos que investigaram a aplicação da ABA consistentemente evidenciam sua eficácia na promoção do desenvolvimento social e comunicativo em crianças com TEA. A ciência utiliza estratégias precisas, como o reforço positivo, para moldar comportamentos desejados e reduzir comportamentos indesejados.


Pesquisas têm demonstrado que a ABA é particularmente eficaz no ensino de habilidades sociais e comunicativas, essenciais para indivíduos com TEA. Essa abordagem focada na análise de comportamentos específicos permite uma intervenção individualizada, adaptada às necessidades únicas de cada criança. Dessa forma, a ABA se destaca na promoção de habilidades sociais, como interações sociais apropriadas, estabelecimento de relações e comunicação eficaz.


Além do seu papel preponderante no tratamento do TEA, a ABA encontra aplicação em diversos transtornos do desenvolvimento. Sua eficácia estende-se ao tratamento do Transtorno do Desenvolvimento Intelectual (TDI), caracterizado por dificuldades nas habilidades intelectuais e adaptativas. A abordagem estruturada e individualizada da ABA é particularmente valiosa na abordagem desses desafios, contribuindo para o desenvolvimento global da criança.


A aplicabilidade da ABA também se estende ao Atraso Global do Desenvolvimento e a quadros assemelhados, onde suas técnicas são adaptadas para atender às necessidades específicas de cada criança. A natureza flexível da ABA permite a personalização da intervenção de acordo com as características únicas de cada indivíduo, o que a torna uma escolha versátil e eficaz em diversos contextos clínicos.


A designação da ABA como padrão-ouro reflete seu destaque na abordagem comportamental e sua aceitação generalizada na comunidade científica e clínica. Profissionais e pesquisadores concordam que a ABA oferece uma estrutura metodológica sólida e baseada em evidências, o que a coloca em uma posição de destaque no tratamento de transtornos do desenvolvimento.


A disseminação do conhecimento sobre a eficácia da ABA também contribui para sua posição preeminente. Muitos profissionais, familiares e educadores reconhecem seus benefícios e buscam a ABA como uma abordagem preferencial para promover o desenvolvimento e a qualidade de vida de indivíduos com transtornos do espectro do autismo e condições relacionadas.


Em resumo, as evidências científicas substanciais que respaldam a eficácia da Análise do Comportamento Aplicada solidificam sua posição como o padrão-ouro no tratamento do Transtorno do Espectro do Autismo, Transtorno do Desenvolvimento Intelectual, Atraso Global do Desenvolvimento e quadros assemelhados. A abordagem baseada em princípios comportamentais, aliada à sua aplicabilidade abrangente, torna a ABA uma ferramenta valiosa na promoção do desenvolvimento e no aprimoramento da qualidade de vida de indivíduos com essas condições.


Contras: Custo alto da terapia.


Desmistificando Aspectos Financeiros: Entendendo os Desafios Econômicos na Prestação de Terapias para Crianças com TEA

Em vez de criticar os custos que podem parecer elevados nas terapias destinadas a crianças no espectro do autismo, é crucial adotar uma perspectiva que compreenda os desafios financeiros inerentes à entrega de serviços de qualidade. Esse panorama demanda uma análise mais aprofundada, levando em consideração os diversos fatores que contribuem para os custos associados à intervenção para crianças com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).


A qualidade dos serviços terapêuticos desempenha um papel crucial no desenvolvimento e bem-estar das crianças com TEA. Essa qualidade está intrinsecamente ligada a vários aspectos, desde a formação e expertise dos profissionais até as estratégias terapêuticas utilizadas. Manter padrões elevados de qualidade requer investimentos significativos em recursos humanos qualificados, formação contínua, supervisão técnica e uma abordagem personalizada para atender às necessidades únicas de cada criança.


É fundamental compreender que as terapias para crianças com TEA frequentemente exigem uma equipe transdisciplinar, composta por profissionais de diversas áreas, como Analistas do Comportamento, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicomotricistas, médicos, psicopedagogos, nutricionistas, neuropsicólogos, musicoterapeutas, entre outros. Cada profissional traz uma especialização única, contribuindo para a abordagem integral muitas vezes necessária para atender às complexas necessidades dessas crianças.


Os custos associados à formação extensiva e à constante atualização profissional frequentemente são subestimados. Profissionais especializados em TEA precisam de uma compreensão aprofundada das últimas pesquisas e práticas terapêuticas baseadas em evidências. Essa expertise contínua é vital para garantir que as intervenções estejam alinhadas com os avanços científicos e proporcionem o melhor suporte possível às crianças no espectro.


Ademais, a manutenção de espaços terapêuticos adequados, equipamentos especializados e materiais específicos para cada terapia também contribui para os custos. O ambiente terapêutico desempenha um papel crucial na eficácia das intervenções, e investir em recursos adequados é uma parte essencial da oferta de serviços de qualidade.


Compreender a complexidade desses fatores ajuda a dissipar a percepção de preços "abusivos". O desafio financeiro enfrentado por prestadores de serviços em TEA não se traduz em ganhos excessivos, mas reflete a necessidade de equilibrar a qualidade do serviço com a sustentabilidade financeira. A oferta de intervenções terapêuticas de alta qualidade demanda um comprometimento financeiro significativo para garantir que cada criança receba o suporte necessário para seu desenvolvimento.


Em vez de se concentrar apenas nos custos, é crucial considerar o valor intrínseco das terapias para crianças com TEA. Investir nessas intervenções não apenas melhora a qualidade de vida das crianças, mas também contribui para a construção de uma sociedade mais inclusiva e compreensiva. Reconhecer os desafios financeiros e a dedicação necessária para oferecer serviços de qualidade destaca a importância de um diálogo aberto e construtivo sobre como enfrentar esses desafios de maneira sustentável.


Otimização de Recursos na Intervenção para Crianças com TEA: Uma Abordagem Comprometida com a Qualidade e Eficiência

Num contexto em que a redução de custos é crucial, é essencial explorar estratégias que preservem a qualidade e a eficácia das intervenções. Iniciar com uma revisão da carga tributária e facilitar a obtenção de formação de qualidade são passos fundamentais. Garantir que os profissionais estejam devidamente capacitados assegura que as intervenções se baseiem em práticas científicas robustas.


A flexibilização da aplicação da ABA em ambientes diversos, como a residência ou a escola, emerge como uma estratégia eficaz para otimizar recursos. Manter uma estrutura clínica completa implica em custos significativos, e permitir que as terapias ocorram em ambientes mais familiares pode não apenas reduzir despesas, mas também facilitar a transição para a criança.


Outra abordagem considerável é a inclusão de acompanhantes terapêuticos (AT) com formação técnica, em contraposição à exigência atual de graduados em áreas específicas. O reconhecimento do trabalho especializado dos terapeutas deve refletir em uma remuneração justa. A revisão do ROL de procedimentos da ANS nesta área é crucial para garantir uma valorização adequada dos profissionais e, por consequência, a qualidade dos serviços prestados.


A integração entre os setores da Saúde e Educação se destaca como uma estratégia adicional para otimizar recursos. Compartilhando custos, é possível reduzir despesas em ambas as áreas. No entanto, é crucial ressaltar que essa abordagem requer um aumento proporcional no orçamento destinado à Educação, garantindo que as necessidades específicas das crianças com TEA sejam atendidas de maneira abrangente e eficaz.


A regulamentação da profissão de Analista do Comportamento e a instituição de um conselho de classe são elementos fundamentais para elevar a qualidade dos serviços oferecidos. Atualmente, observa-se a atuação de profissionais sem a devida formação, realizando terapias em crianças com TEA. A regulamentação e a criação de um conselho de classe estabeleceriam critérios rigorosos de formação, prática e ética, prevenindo a atuação de indivíduos não qualificados nessa área sensível.


Além disso, a regulamentação asseguraria que profissionais com formação técnica de acompanhante terapêutico fossem designados adequadamente, evitando funções além de suas competências. Atualmente, esses profissionais frequentemente assumem papéis de coordenação/assistência e até mesmo supervisão. Isso contribuiria significativamente para a qualidade e segurança das intervenções, promovendo um ambiente terapêutico mais confiável.


A busca por otimização de recursos na intervenção para crianças com TEA requer uma abordagem abrangente e equilibrada. Revisões na carga tributária, formação acessível, flexibilização do ambiente na aplicação da ABA além do ambiente clínico, consideração de acompanhantes terapêuticos com formação técnica, integração entre os setores de Saúde e Educação, e a regulamentação da profissão são passos importantes para assegurar que a qualidade dos serviços seja mantida ou até mesmo aprimorada, enquanto se busca eficiência nos custos. O compromisso prioritário permanece no bem-estar das crianças e suas famílias, garantindo que cada intervenção seja guiada por práticas éticas e científicas sólidas.





2. Modelo Denver de Intervenção:

O Modelo Denver, também conhecido como Denver Early Start Model, combina estratégias comportamentais e de desenvolvimento. Essa abordagem procura estimular habilidades sociais, emocionais e de comunicação, integrando o aprendizado em situações do dia a dia. ESDM - Modelo Denver de intervenção precoce no Autismo é baseado na ABA, Treino pivotal e Teorias desenvolvimentalistas. Está indicado para crianças de 1 a 5 anos de idade.


Prós: Abordagem mais flexível que incorpora a individualidade da criança. Intervenção precoce e inclusão dos pais são pontos fortes.


Contras: Pode ser menos estruturada do que a ABA, o que pode ser desafiador para crianças que se beneficiam de rotinas claras.



3. Son-Rise:

O Son-Rise, desenvolvido pelo Autism Treatment Center of America, enfatiza a aceitação e a conexão emocional como base para o desenvolvimento. Os pais desempenham um papel fundamental na criação de um ambiente de aprendizado positivo, centrado nas preferências da criança.


Prós: Destaca o poder da aceitação e da conexão emocional. Enfatiza a importância da relação com os pais.


Contras: Algumas críticas apontam para a falta de estrutura e direção, podendo não atender a crianças que se beneficiam de uma abordagem mais estruturada. Não tem evidências científicas especificamente para o tratamento do TEA.


4. Floortime:

Desenvolvido pelo psiquiatra Stanley Greenspan, o Floortime é uma abordagem centrada no desenvolvimento emocional e social da criança. Envolve interações dirigidas pelos interesses da criança, buscando expandir esses interesses para aumentar as habilidades de comunicação e interação.


Prós: Foca no desenvolvimento emocional e nas relações interpessoais. Incentiva a comunicação através de interações significativas.


Contras: Alguns podem argumentar que pode faltar uma estrutura mais clara, semelhante a outras abordagens. Não tem evidências científicas especificamente para o tratamento do TEA


Escolhendo a Abordagem Certa:

A escolha da abordagem certa depende das necessidades individuais da criança, de seus interesses, nível de funcionalidade e preferências familiares. Uma abordagem "tamanho único" não se aplica ao autismo, e muitas crianças se beneficiam de uma combinação de métodos.

  • Para crianças que respondem bem à estrutura e reforço positivo: ABA pode ser uma escolha eficaz.

  • Para aqueles que prosperam com intervenções mais flexíveis e centradas no desenvolvimento: Denver pode ser uma opção.

  • Se a aceitação e a conexão emocional são fundamentais: Son-Rise pode ser considerado.

  • Para uma ênfase no desenvolvimento emocional e relacional: Floortime pode ser apropriado.


Considerações Finais:

Cada modelo tem seus prós e contras, e o que funciona para uma criança pode não ser ideal para outra. Uma abordagem multidisciplinar, envolvendo diferentes elementos de várias terapias, muitas vezes é recomendada para proporcionar uma intervenção mais abrangente. A escolha da abordagem deve levar em conta as necessidades específicas da criança, preferências familiares e a orientação de profissionais especializados em autismo. O importante é proporcionar um ambiente de apoio e compreensão, centrado no bem-estar e no progresso da criança com autismo.



Dra. Valéria Gandolfi Geraldo

Pediatria - Neurologia Pediátrica

CRM-SP: 105.691 / RQE: 26.501-1


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