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Dislexia: Desmistificando a idade do diagnóstico

Atualizado: 24 de jan.



Dislexia: Desmistificando a idade do diagnóstico

A Dislexia, um distúrbio que impacta as habilidades de leitura, escrita e soletração, pode apresentar obstáculos significativos durante o período escolar das crianças. Reconhecer e lidar precocemente com essas dificuldades é fundamental para oferecer o suporte adequado. Se houver indícios de que seu filho possa estar enfrentando essa condição, buscar a orientação de um pediatra é essencial. O pediatra realizará uma avaliação e, se necessário, encaminhará para profissionais especializados. Agir prontamente pode fazer toda a diferença no desenvolvimento acadêmico e emocional da criança.


Atualmente, ela é chamada de Transtorno Específico de Aprendizagem com prejuízo na leitura e expressão escrita  (CID 10: F81.8, considerando a nova CID 11: 6A03.3).


DSM5-TR:

CID 10: F81.8, considerando a nova CID 11: 6A03.3: Transtorno Específico de Aprendizagem com prejuízo na leitura e expressão escrita:

  • Englobando dificuldades na precisão na leitura de palavras.

  • Englobando dificuldades na velocidade ou fluência da leitura.

  • Englobando dificuldades na compreensão da leitura.

  • Englobando dificuldades na precisão na ortografia

  • Englobando dificuldades na precisão na gramática e na pontuação

  • Englobando dificuldades na precisão na clareza ou organização da expressão escrita

Dislexia: Quando Diagnosticar e Como Intervir Precocemente

O Transtorno Específico de Aprendizagem com prejuízo na leitura e expressão escrita, um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta a leitura, escrita e ortografia, é muitas vezes um desafio silencioso enfrentado por crianças em idade escolar. A importância do diagnóstico precoce e da intervenção eficaz é crucial para mitigar os impactos emocionais e acadêmicos. Este texto explora o momento ideal para diagnosticar a Dislexia e a importância da intervenção nos estágios iniciais da vida escolar.


Geralmente, é o professor quem detecta pela primeira vez as características do Transtorno Específico de Aprendizagem com prejuízo na leitura e expressão escrita em uma criança. Contudo, os pais desempenham um papel fundamental ao ficarem atentos aos comportamentos de seus filhos. Mesmo que existam indicadores precoces de Transtorno Específico de Aprendizagem com prejuízo na leitura e expressão escrita, como alterações neurofuncionais identificáveis por técnicas de neuroimagem funcional, é essencial compreender que o diagnóstico formal só ocorre após o início da aprendizagem formal de leitura e escrita.


Durante o período pré-escolar, diversas características, como dificuldades no processamento fonológico, tornam-se evidentes. Consciência fonológica, nomeação rápida e memória de trabalho verbal são habilidades frequentemente afetadas. Entretanto, o diagnóstico do Transtorno Específico de Aprendizagem com prejuízo na leitura e expressão escrita geralmente ocorre no 1º Ciclo do Ensino Básico, durante a fase inicial da aprendizagem formal da leitura e escrita.


Especialistas recomendam que o diagnóstico formal não seja estabelecido muito antes do meio do 2º ano de escolaridade. Isso se deve à necessidade de observar dificuldades persistentes, não transitórias, na aprendizagem da leitura e escrita. A compreensão se as dificuldades são resultado de um ligeiro atraso ou de uma dificuldade no desenvolvimento é crucial. O atraso na avaliação pode levar ao acumular de dificuldades nas diversas áreas curriculares, diminuindo a eficácia da intervenção e contribuindo para alterações emocionais significativas.


No entanto, postergar demais o diagnóstico também é problemático. Um atraso na avaliação pode resultar em desafios mais substanciais no desenvolvimento acadêmico e emocional da criança. A identificação precoce é essencial para oferecer suporte adequado e personalizado.


Reconhecendo os desafios, é fundamental realizar o rastreio das características precoces de dificuldades na leitura e expressão escrita. Intervenções intensivas devem ser implementadas o mais cedo possível. A intervenção com fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo comportamental e psicopedagogo, cientificamente comprovadas como eficazes no período pré-escolar e nos anos iniciais da escolaridade, são ferramentas valiosas para minimizar dificuldades iniciais.


A avaliação especializada e a intervenção adequada deveriam ocorrer nas primeiras características precoces, possibilitando a análise da resposta da criança à intervenção. Isso auxilia na clarificação do diagnóstico. Mesmo que o diagnóstico definitivo seja recomendado após pelo menos um ano e meio de frequência escolar no ensino fundamental, a intervenção precoce permite mitigar muitos dos desafios iniciais.


Esta abordagem multidisciplinar exige colaboração entre pais, professores e profissionais de saúde. Além do aspecto acadêmico, oferecer suporte emocional é vital. Lidar com as complexidades do Transtorno Específico de Aprendizagem com prejuízo na leitura e expressão escrita desde cedo pode ser desafiador, e buscar apoio em grupos de apoio e profissionais de saúde mental é essencial para a adaptação emocional.


Em resumo, o Transtorno Específico de Aprendizagem com prejuízo na leitura e expressão escrita destaca a diversidade de manifestações desse transtorno neurobiológico. A conscientização sobre essa associação é crucial para uma intervenção precoce, proporcionando suporte abrangente às crianças e suas famílias diante desses desafios singulares. Ao compreender o delicado equilíbrio entre diagnosticar no momento certo e intervir precocemente, podemos oferecer às crianças as ferramentas necessárias para superar os obstáculos e prosperar em seu desenvolvimento acadêmico e emocional.

Principais Características e Desafios:

O Transtorno Específico de Aprendizagem com prejuízo na leitura e expressão escrita apresenta desafios contínuos na leitura e escrita, ultrapassando as dificuldades iniciais na alfabetização e persistindo ao longo do tempo. As crianças afetadas enfrentam significativas complicações ao tentar decodificar palavras, resultando em uma leitura lenta e imprecisa.


Trocas Ortográficas Recorrentes e Substituições Persistentes: Um traço distintivo do Transtorno Específico de Aprendizagem com prejuízo na leitura e expressão escrita é a presença consistente de trocas ortográficas e substituições de palavras. Exemplificando, é comum observar a troca de "T" por "D", "P" por "B" ou "F" por "V". Esses erros persistem ao longo do tempo, indicando uma dificuldade intrínseca.


Desafios na Percepção Visual de Figura-Fundo: Muitas crianças com Transtorno Específico de Aprendizagem com prejuízo na leitura e expressão escrita enfrentam obstáculos na percepção visual de figura-fundo durante a leitura. Isso pode gerar a sensação de que as letras estão desordenadas ou em movimento, complicando ainda mais o processo de decodificação.


Substituição de Palavras Funcionais por Pseudopalavras: Além das dificuldades com palavras reais, é comum que crianças com Transtorno Específico de Aprendizagem com prejuízo na leitura e expressão escrita substituam palavras funcionais por pseudopalavras. Esse padrão reflete a complexidade do processamento fonológico, uma área frequentemente afetada no Transtorno Específico de Aprendizagem com prejuízo na leitura e expressão escrita.

Dra. Valéria Gandolfi Geraldo

Pediatria - Neurologia Pediátrica

CRM-SP: 105.691 / RQE: 26.501-1

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