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Entendendo a Normalidade no Eletroencefalograma: Desafios e Realidades

Atualizado: 22 de jan.



Entendendo a Normalidade no Eletroencefalograma: Desafios e Realidades


O eletroencefalograma (EEG) é uma ferramenta valiosa na avaliação da atividade elétrica cerebral, mas sua capacidade de diagnosticar epilepsia é, por vezes, limitada. Muitos pacientes que enfrentam episódios epilépticos frequentes se deparam com a perplexidade de ter seus EEGs consistentemente normais. Neste texto, exploraremos as razões por trás dessa aparente contradição e os desafios associados à interpretação do EEG como uma ferramenta diagnóstica.


Sensibilidade e Especificidade do EEG na Epilepsia

O EEG é uma representação gráfica da atividade elétrica do cérebro, medida através de eletrodos colocados no couro cabeludo. Sua capacidade de detectar potenciais elétricos anormais, conhecidos como descargas epileptiformes, varia de pessoa para pessoa. A sensibilidade do EEG, ou seja, sua capacidade de detectar epilepsia quando ela está presente, é relativamente baixa. Estudos indicam que cerca de 17% dos adultos com epilepsia apresentam alterações no EEG.


Por outro lado, a especificidade do EEG é alta. Isso significa que, se o EEG mostrar alterações, há uma probabilidade significativa (95%) de que o paciente realmente tenha epilepsia. Portanto, enquanto um EEG normal pode indicar ausência de epilepsia, um EEG anormal é geralmente indicativo de sua presença.


Timing e Condições do EEG

Um fator crítico na interpretação do EEG é o timing em relação à ocorrência das crises epilépticas. Realizar o EEG algumas horas ou dias após uma crise aumenta a probabilidade de resultados normais. Descargas epileptiformes são mais propensas a serem detectadas nas primeiras horas ou, no máximo, 72 horas após uma crise.


A extensão da área cerebral envolvida nas descargas epileptiformes também desempenha um papel crucial. Para serem captadas pelos eletrodos de superfície do EEG de rotina, é necessário o envolvimento de uma área considerável, entre 6 a 10 cm² de neurônios corticais. Se a área afetada for menor, as descargas podem passar despercebidas em um EEG convencional.


Descargas elétricas em regiões profundas do cérebro enfrentam um desafio adicional. O caminho longo que precisam percorrer até alcançar os eletrodos de superfície pode resultar em atenuações, levando à ausência de registro.


Fatores Individuais e Provas de Ativação

A variação entre os pacientes é um aspecto importante. Algumas pessoas apresentam poucas descargas epileptiformes entre as crises, e estas podem ocorrer apenas durante o sono. Em um EEG de curta duração, como 30 minutos, pode não haver tempo suficiente para registrar essas descargas.


Para garantir a sensibilidade do EEG, é necessário que o exame dure pelo menos 30 minutos. Além disso, é essencial que o EEG abranja períodos de sono e vigília, incluindo privação de sono e provas de ativação adequadas. A falta desses elementos reduz ainda mais a probabilidade de captar alterações no EEG.


A Importância do Neurofisiologista na Interpretação do EEG

O papel do profissional que interpreta o EEG é fundamental. Embora neurocirurgiões, neurologistas clínicos ou pediátricos possam realizar o exame, a interpretação precisa geralmente é realizada por um neurofisiologista. A experiência desse especialista é crucial para distinguir entre variações normais e anormais na atividade cerebral.


Questionando a Normalidade do Seu EEG

Se o seu EEG é consistentemente normal, isso não exclui a possibilidade de epilepsia. As nuances associadas à captação de descargas epileptiformes podem levar a falsos negativos. Se você continua a enfrentar episódios epilépticos, é essencial discutir suas preocupações com seu médico. Ele pode considerar repetir o EEG em condições mais favoráveis ou explorar outras modalidades diagnósticas, como a monitorização prolongada por vídeo EEG.


Em resumo, a normalidade do EEG não descarta a presença de epilepsia. É uma ferramenta valiosa, mas suas limitações precisam ser compreendidas. O diagnóstico de epilepsia é predominantemente clínico, e os exames complementares, incluindo o EEG, são ferramentas auxiliares. O trabalho conjunto entre paciente e médico é essencial para desvendar os desafios diagnósticos e fornecer o cuidado adequado.


Dra. Valéria Gandolfi Geraldo

Pediatria - Neurologia Pediátrica

CRM-SP 105.691 - RQE: 26.501-1

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